Durante uma entrevista coletiva concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última quarta-feira (9/7), a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, reagiu de forma inusitada ao ouvir perguntas sobre a ameaça do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar sobretaxas aos produtos brasileiros. A frase dita por ela — “cadê meus vira-latas” — rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
O momento ocorreu enquanto Lula respondia a jornalistas sobre a nova proposta tarifária de Trump, que afirmou publicamente considerar o Brasil “nada bom” para os Estados Unidos e anunciou que estuda sobretaxar produtos brasileiros em 10%. Ao fundo, a reação de Janja foi captada por câmeras.
Entenda o contexto
Em nota, a assessoria da primeira-dama esclareceu que o comentário não teve como alvo os jornalistas presentes na coletiva, mas sim um grupo específico: “A frase dita por Janja não se refere aos profissionais da imprensa, mas aos bolsonaristas que, segundo ela, estão traindo os interesses e a soberania do Brasil”.
A declaração foi reforçada pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), que afirmou ao colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, que a reação se referia “aos bolsonaristas que se alinham a Trump em detrimento da economia e da política externa brasileira”.
++ Trump confirma tarifa de 10% contra países do Brics e diz que medida será aplicada em breve
Trump aumenta pressão
A tensão entre Brasil e Estados Unidos cresceu após Donald Trump declarar que pretende adotar uma política mais rígida contra países que integram ou apoiam o Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Segundo o republicano, os países que adotarem posturas “antiamericanas” serão penalizados com tarifas extras de 10%, sem exceções.
A ameaça foi interpretada como um revés à atuação do Brasil na presidência rotativa do bloco. Em resposta, Lula afirmou que “o Brics não nasceu para afrontar ninguém, mas para garantir equilíbrio geopolítico e uma voz do Sul Global”. Em outro momento, o presidente disparou: “Dê palpite na sua vida, e não na nossa”, referindo-se diretamente ao ex-presidente americano.
Um cenário de protecionismo
Desde que reassumiu o poder nos EUA, Trump tem reforçado uma agenda econômica protecionista, voltada à defesa da indústria nacional. O plano do republicano inclui tarifas diferenciadas para blocos comerciais, com alíquotas de 10% para a América Latina, 20% para a Europa e até 100% para produtos chineses.
O Brasil, que tem exportações significativas de aço, produtos agrícolas e manufaturados para o mercado norte-americano, seria diretamente afetado. A medida, se confirmada, pode impactar setores estratégicos da economia brasileira e pressionar o governo federal a buscar novos acordos comerciais.
Reações divididas
A fala de Janja dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto críticos a acusam de deselegância, apoiadores aplaudiram o que consideraram uma reação espontânea e politicamente engajada diante de um cenário externo hostil. O episódio reforça o protagonismo cada vez mais visível da primeira-dama em temas políticos e diplomáticos — e também a sensibilidade do governo diante de pressões internacionais.
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