Pesquisadores australianos desenvolveram uma tecnologia inovadora para recuperar ouro de equipamentos eletrônicos descartados, como celulares e computadores, utilizando um processo mais seguro e ambientalmente responsável. A descoberta foi liderada por cientistas da Universidade Flinders e publicada recentemente na revista Nature Sustainability.
O estudo propõe uma alternativa viável ao uso de substâncias altamente tóxicas, como o mercúrio e o cianeto — comumente empregados na mineração convencional e na reciclagem de metais preciosos. No novo processo, os químicos substituem esses agentes por um composto acessível e amplamente usado em piscinas e no tratamento de água: o ácido tricloroisocianúrico.
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Segundo o coordenador da pesquisa, professor Justin Chalker, o reagente, quando ativado com água salgada, permite que o ouro presente nas placas eletrônicas seja dissolvido e posteriormente separado. Para a etapa de recuperação, os cientistas desenvolveram um material polimérico rico em enxofre, capaz de capturar seletivamente o ouro mesmo em soluções com diversos outros metais.
O procedimento foi testado em diferentes fontes: placas de circuito de computadores antigos, amostras de minério e até resíduos científicos. Outro destaque do método está na possibilidade de reutilizar tanto o reagente quanto o sorvente, reduzindo ainda mais os impactos ambientais.
A relevância da técnica se torna ainda maior diante do crescimento acelerado do lixo eletrônico no mundo. De acordo com a ONU, apenas em 2022, foram geradas 62 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos — um aumento de mais de 80% em relação a 2010. A projeção é que esse número chegue a 82 milhões de toneladas até o fim da década.
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A nova abordagem pode transformar o modo como o ouro é reciclado e extraído, oferecendo uma alternativa viável e menos agressiva à natureza, em meio ao desafio crescente da gestão de resíduos tecnológicos.
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