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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas criam sangue em laboratório para enfrentar escassez global de doações

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A ciência vem se mobilizando para enfrentar um desafio urgente da medicina moderna: a falta de sangue disponível para transfusões. Com a queda nas taxas de doação e a alta demanda mundial — estimada em mais de 112 milhões de unidades por ano, segundo a Cruz Vermelha Alemã — pesquisadores ao redor do mundo estão explorando formas inovadoras de produzir sangue em laboratório.

Mesmo nos países mais ricos, que concentram 40% das doações globais e apenas 16% da população, os estoques estão longe de ser suficientes. Diante dessa realidade, alternativas como o uso de sangue animal já foram consideradas, mas descartadas: diferenças genéticas entre espécies fazem com que o organismo humano rejeite esse tipo de transfusão, tornando a solução inviável.

Por isso, os esforços têm se voltado para o desenvolvimento de sangue artificial e glóbulos vermelhos produzidos em ambiente controlado. Nos Estados Unidos, cientistas da Universidade de Stanford e da Universidade da Califórnia (UCSF) têm usado a técnica de edição genética CRISPR para modificar células-tronco da medula óssea. O objetivo é fazer com que essas células fabriquem mais hemoglobina, aumentando a capacidade de transporte de oxigênio no sangue.

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Já na Escandinávia, equipes da Dinamarca e da Suécia estão apostando em enzimas derivadas de bactérias intestinais para transformar células sanguíneas do tipo A ou B em doadores universais — do tipo O. Apesar dos avanços, resíduos moleculares ainda persistem, o que pode gerar reações adversas em pacientes mais sensíveis.

Outras abordagens envolvem a criação de glóbulos vermelhos sintéticos com estrutura altamente flexível e resistência a variações de temperatura. Essa tecnologia, desenvolvida pela Universidade Estadual da Pensilvânia, pode ser especialmente útil em situações emergenciais, como catástrofes naturais e zonas de guerra.

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No Japão, a Universidade Médica de Nara está testando vesículas de hemoglobina artificial produzidas a partir de sangue fora da validade. Essas cápsulas são compatíveis com todos os tipos sanguíneos e têm se mostrado eficazes no transporte de oxigênio.

Embora esses avanços tragam esperança, os especialistas alertam que ainda levará tempo até que o sangue produzido em laboratório esteja disponível em larga escala e com total segurança. Até lá, a doação voluntária segue sendo insubstituível — um ato simples que continua salvando vidas todos os dias.

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