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sábado, novembro 7, 2026

Brasil é pressionado a se posicionar na nova era nuclear

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Em meio à crescente tensão geopolítica mundial, o Brasil se vê diante de um dilema delicado: manter sua histórica defesa do desarmamento ou adaptar sua postura diante de um cenário em que o rearmamento, inclusive nuclear, volta a ganhar força.

Conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, instabilidades no Oriente Médio e a intensificação da rivalidade entre grandes potências vêm impulsionando uma nova corrida armamentista. Nesse cenário, as armas nucleares voltam a ocupar o centro das preocupações internacionais.

Embora reconhecido como um país comprometido com a diplomacia e o uso pacífico da energia atômica, o Brasil não é alheio ao tema. O país possui domínio sobre a tecnologia de enriquecimento de urânio e mantém um programa nuclear ativo — que inclui o desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear, o primeiro da América Latina.

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Segundo o professor Armando Alvares Garcia Júnior, da Universidad Internacional de La Rioja (Espanha), esse poderio técnico confere ao Brasil a capacidade de desenvolver armamentos nucleares, caso decidisse seguir por esse caminho — embora a Constituição de 1988 proíba expressamente esse tipo de iniciativa.

Além da legislação interna, o Brasil é signatário de acordos internacionais como o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e o Tratado de Tlatelolco, que estabelece a América Latina como zona livre de armas atômicas. Porém, a recente entrada do Irã no BRICS, grupo do qual o Brasil também faz parte, trouxe novas complexidades para a diplomacia brasileira.

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A presença iraniana no bloco coloca o país lado a lado com uma nação frequentemente acusada de violar os termos do TNP. Isso pressiona o Brasil a tomar decisões mais nítidas sobre seu posicionamento em um mundo cada vez mais polarizado e militarizado.

Para Garcia Júnior, reafirmar o compromisso com o desarmamento poderia reforçar o papel do Brasil como liderança moral no cenário internacional, abrindo espaço para iniciativas em favor da transparência e de novas zonas livres de armas nucleares. Em contrapartida, uma postura ambígua ou passiva pode significar perda de influência e protagonismo.

Em tempos de incerteza, o país precisa definir se continuará sendo referência na defesa de uma ordem global baseada em regras e cooperação, ou se adotará uma abordagem mais pragmática diante dos novos contornos da geopolítica nuclear. O que está em jogo não é apenas uma decisão estratégica — mas o lugar que o Brasil pretende ocupar no século XXI.

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