O Alcoólicos Anônimos (A.A.) completa 90 anos em 2025 com um retrato mais diverso do que aquele formado na pequena cidade de Akron, no estado de Ohio (EUA), quando a irmandade surgiu em 10 de junho de 1935. No Brasil, uma mudança silenciosa tem ganhado força: a ampliação da presença feminina nos grupos de apoio.
Segundo a Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (JUNAAB), as reuniões compostas apenas por mulheres cresceram 44,7% desde a pandemia de COVID-19. Hoje, são cerca de 65 encontros — presenciais ou online — voltados exclusivamente à escuta e à troca entre mulheres que enfrentam o alcoolismo. A participação é gratuita e aberta a quem deseja parar de beber, sem exigência de filiação ou vínculo religioso.
“O uso de álcool por mulheres muitas vezes é invisível, carregado de estigmas e preconceitos. Isso dificulta o pedido de ajuda”, afirma Lívia Pires Guimarães, psicóloga e presidente da JUNAAB. Segundo ela, muitas mulheres bebem dentro de casa, longe dos olhos públicos — o que dificulta o reconhecimento do problema e o acesso ao apoio.
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A pandemia, no entanto, acabou abrindo um novo caminho. Com as reuniões virtuais, muitas mulheres encontraram um espaço seguro para falar e ouvir sem julgamentos. “A partir do contato online, começaram a ir para o presencial também, ou permanecer nos dois. E aí o movimento começou a aumentar”, explica Lívia.
Criado a partir do encontro entre Bill Wilson, um corretor de ações de Nova York, e o médico Robert Smith, o Dr. Bob, o Alcoólicos Anônimos baseia-se na ideia de que o compartilhamento de experiências é fundamental para manter a sobriedade. Foi essa troca mútua que ajudou os dois fundadores a romperem o ciclo da dependência alcoólica.
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No Brasil, o A.A. começou a se estruturar em 1947, após a chegada do publicitário americano Herberth L. D. ao Rio de Janeiro. Membro do grupo desde 1943, ele iniciou contatos com a matriz em Nova York e estabeleceu as primeiras conexões que dariam origem ao movimento nacional. Uma ata registrada em 1950 oficializou a fundação do primeiro grupo brasileiro em 5 de setembro de 1947.
Hoje, o A.A. está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Todos os encontros são organizados pelos próprios membros e seguem os princípios de autonomia e anonimato. A irmandade não possui vínculos com religiões, partidos ou instituições, e seu único propósito é a manutenção da sobriedade.
“Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios”, define um dos trechos do site oficial da organização. Mais do que isso, o A.A. se transforma diariamente ao acompanhar novas realidades e necessidades. E a presença crescente das mulheres mostra que, quando há espaço seguro e acolhimento, a recuperação também encontra novos caminhos.
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