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quarta-feira, setembro 16, 2026

Múmia com tatuagens faciais raras intriga arqueólogos e revela técnicas inéditas de pigmentação

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Uma múmia feminina com cerca de 800 anos e tatuagens faciais incomuns tem despertado o interesse da comunidade científica internacional. O achado, detalhado em artigo publicado no Journal of Cultural Heritage no último dia 14, revela traços culturais e tecnológicos até então inéditos entre civilizações sul-americanas pré-colombianas.

A múmia, mantida há cerca de um século no Museu Italiano de Antropologia e Etnografia, em Turim, foi analisada por uma equipe liderada por Gianluigi Mangiapane, da Universidade de Turim. Embora classificada apenas como um artefato sul-americano, a posição do corpo — sentado, com os joelhos dobrados e envolto em tecidos — remete aos rituais funerários da cultura Paracas, civilização que ocupou a costa sul do atual Peru. A datação por radiocarbono dos fragmentos têxteis indica que ela viveu entre 125 e 1382 d.C.

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Tatuagens no rosto e um pigmento nunca antes documentado

Apesar do escurecimento natural causado pelo processo de mumificação, os cientistas conseguiram identificar tatuagens tanto no punho quanto no rosto da múmia. No punho, foi observado um desenho em forma de “S”. Nas bochechas, três linhas minimalistas e paralelas, o que é extremamente raro em registros da região andina.

“Tatuagens faciais, especialmente nas bochechas, são praticamente inexistentes nos registros arqueológicos da América do Sul”, destacaram os autores do estudo.

Outro aspecto surpreendente foi a composição da tinta usada nas tatuagens. Ao contrário da tradição de utilizar carvão, a análise revelou a presença de magnetita, um minério preto com propriedades magnéticas, além de silicatos ricos em ferro, componentes nunca antes associados a tatuagens pré-hispânicas no continente.

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Preservação e técnicas de imagem

A excelente preservação das tatuagens foi favorecida pelo clima árido típico de regiões desérticas do litoral sul-americano. Para visualizar melhor os desenhos, a equipe recorreu a técnicas de imagem não destrutivas, revelando detalhes invisíveis a olho nu.

Os cientistas ainda não conseguiram determinar o significado exato das marcas, mas acreditam que possam ter função simbólica, social ou ritualística, oferecendo novas pistas sobre os costumes e a identidade das mulheres em civilizações pré-incas.

Com a descoberta, o estudo reforça a importância de revisitar acervos históricos muitas vezes negligenciados e levanta novas hipóteses sobre o uso de materiais minerais raros nas práticas culturais do passado.

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