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quarta-feira, setembro 16, 2026

Primeiro caso em granja reacende temor de surto nacional de gripe aviária

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A confirmação do primeiro foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial no Brasil colocou o país em estado de alerta. O caso, registrado em Montenegro (RS), atingiu cerca de 17 mil aves — parte morreu e o restante foi sacrificado para conter a propagação do vírus. O Ministério da Agricultura também confirmou que a morte de aves silvestres em um zoológico a 50 km do local foi causada pela mesma doença.

Outros três casos suspeitos estão sendo investigados nos estados de Santa Catarina, Tocantins e Ceará. Amostras colhidas em granjas comerciais de Ipumirim (SC) e Aguiarnópolis (TO), e em uma unidade de produção familiar em Salitre (CE), estão em análise. Já os exames realizados em propriedades de subsistência em Sergipe, Mato Grosso e no próprio Rio Grande do Sul tiveram resultado negativo.

Apesar do cenário preocupante, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o país pode recuperar o status sanitário internacional em até 28 dias, desde que não surjam novos focos da doença nesse período. O protocolo segue as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e determina que, após a eliminação do último caso, o país pode solicitar a reclassificação de “livre de gripe aviária”.

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O infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Unesp, ressalta que o critério técnico permite essa reavaliação, mas alerta para a necessidade de manter medidas rígidas de biossegurança. “Mesmo com o status sanitário recuperado, o risco de reintrodução do vírus persiste, principalmente por meio de aves silvestres”, afirma o especialista, destacando a importância da vigilância contínua dentro da abordagem “One Health”, que integra a saúde animal, humana e ambiental.

Segundo o virologista Fernando Spilki, a confirmação de novos focos pode indicar uma disseminação mais ampla do vírus, exigindo ações mais robustas para evitar a expansão geográfica da doença. “O desafio é conter o vírus antes que ele se espalhe por diferentes regiões, o que tornaria o controle muito mais difícil”, diz.

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Já a biomédica Mellanie Fontes-Dutra destaca que será essencial realizar o sequenciamento genético das amostras suspeitas para avaliar eventuais mutações. “Quanto mais o vírus se adapta e infecta novos hospedeiros, maiores são os riscos de que ele consiga afetar outros animais, inclusive humanos”, alerta.

Casos recentes em outros países demonstram o potencial de gravidade da gripe aviária. Desde 2022, os Estados Unidos enfrentam o maior surto da história, com mais de 170 milhões de aves afetadas e perdas financeiras superiores a US$ 1,4 bilhão. Na América do Sul, a Argentina também já registrou episódios da doença.

Apesar da gravidade, especialistas ressaltam que o Brasil conseguiu retardar a entrada do H5N1 em granjas comerciais por mais tempo do que outros países, o que mostra a eficácia das medidas de controle até aqui. No entanto, com o primeiro foco confirmado e outros sob suspeita, o país entra em um momento crítico para evitar a propagação da doença.

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