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quarta-feira, setembro 16, 2026

Bebês reborn dividem o país e viram tema de leis polêmicas sobre saúde mental, filas e uso no SUS

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O universo dos bebês reborn — bonecos extremamente realistas que imitam recém-nascidos — ultrapassou as redes sociais e entrou de vez na pauta política brasileira. A crescente popularidade dessas bonecas, que encantam e comovem milhares de pessoas, levou à aprovação de uma homenagem no Rio de Janeiro e, simultaneamente, ao surgimento de projetos de lei que buscam restringir seu uso em serviços públicos.

Na capital fluminense, foi aprovado no início de maio o projeto que cria o Dia da Cegonha Reborn, uma homenagem às artesãs que produzem esses bonecos com aparência hiper-realista. A proposta foi apresentada pelo vereador Vitor Hugo (MDB), após contato com um grupo de criadoras da cidade. Agora, aguarda sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes.

Mas a repercussão da homenagem não foi unânime. Pelo contrário: o tema provocou reações imediatas em outros estados. No Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, deputados estaduais apresentaram projetos com propostas restritivas, alegando preocupação com a saúde pública, possíveis fraudes em filas de atendimento e mau uso de recursos do SUS.

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O deputado fluminense Rodrigo Amorim (União) protocolou o PL 5327/2025, que propõe a criação de um programa de apoio psicológico para pessoas que desenvolvem laços afetivos profundos com os reborn. Segundo ele, embora os bonecos possam ter efeito terapêutico, há riscos de isolamento e dependência emocional. O projeto prevê a atuação de psicólogos, terapeutas e assistentes sociais.

Já em Minas Gerais, o deputado Cristiano Caporezzo (PL) seguiu o caminho oposto. Seu projeto (PL 3757/2025) propõe a proibição total do atendimento a bonecos reborn e objetos inanimados em unidades de saúde do estado. O texto prevê multa de dez vezes o valor do serviço caso a regra seja descumprida. A justificativa é que esse tipo de atendimento colocaria vidas humanas em risco e desviaria verbas do SUS.

Em Goiás, o PL 2320/2025, de autoria do deputado Zacharias Calil (União), quer impedir que pessoas usando bebês reborn ocupem filas de prioridade em repartições públicas ou assentos preferenciais no transporte. Casos de influenciadores que filmaram “furando fila” com bonecos motivaram a proposta. A multa para quem violar a norma pode chegar a R$ 30 mil, com recursos destinados ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente.

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Embora para muitos os reborn sejam apenas colecionáveis ou objetos artísticos, há relatos de uso terapêutico em quadros de luto, ansiedade e depressão. A polêmica gira em torno do limite entre o uso afetivo saudável e práticas que desafiam a lógica de serviços públicos destinados a seres humanos reais.

Enquanto o debate esquenta, a presença desses bonecos nas ruas, filas e repartições públicas continua dividindo opiniões — e agora, também, legislações.

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