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quarta-feira, setembro 16, 2026

Imagens inéditas revelam como o coração começa a se formar

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Pesquisadores britânicos conseguiram, pela primeira vez, registrar em vídeo o início do desenvolvimento de um coração em um organismo vivo. A façanha, realizada com embriões de camundongos, pode mudar o que se sabe sobre a origem dos defeitos cardíacos congênitos e abrir caminho para novas abordagens terapêuticas.

A descoberta é fruto de um estudo conduzido por cientistas do Instituto de Saúde Infantil Great Ormond Street, ligado à University College London, e foi publicada na revista científica The EMBO Journal. Para captar as imagens em 3D, os pesquisadores recorreram a uma técnica conhecida como microscopia de lâmina de luz, que permite observar células em atividade por longos períodos sem danificar os tecidos.

De acordo com o líder do estudo, Dr. Kenzo Ivanovitch, as imagens mostraram detalhes até então invisíveis sobre o comportamento das células do músculo cardíaco nos primeiros momentos da vida. “Conseguimos visualizar as células que formarão o coração se movimentando de maneira coordenada, e não aleatória, como se pensava antes”, explicou o pesquisador.

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As gravações cobrem um período conhecido como gastrulação — fase em que as células do embrião começam a se organizar em estruturas que futuramente formarão os principais órgãos do corpo. Em humanos, esse processo ocorre por volta da segunda semana de gestação.

Uma das maiores surpresas foi perceber que, mesmo nessa fase precoce, as células que darão origem ao coração já seguem trajetórias bem definidas para formar as diferentes regiões do órgão, como os átrios e os ventrículos. A equipe utilizou marcadores fluorescentes para acompanhar o caminho de cada célula, traçando uma espécie de árvore genealógica celular.

O estudo não apenas desafia a visão anterior de que o processo seria desorganizado, mas também sugere que há mecanismos ocultos — ainda desconhecidos — que regulam a formação dos tecidos cardíacos desde o início. Essa compreensão pode ser decisiva para o futuro da medicina regenerativa e da engenharia de tecidos.

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Segundo os autores, entender esses padrões celulares é essencial para desenvolver tratamentos mais precisos para malformações cardíacas. A expectativa é que, no futuro, seja possível programar o crescimento de órgãos de forma mais controlada, a partir dos princípios descobertos nesse tipo de pesquisa.

As imagens obtidas, além de impressionantes do ponto de vista técnico, ajudam a decifrar um dos eventos mais complexos e delicados da vida: como nasce o coração.

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