O anúncio da Colossal Biosciences sobre a chamada “desextinção” do lobo-terrível, predador que viveu nas Américas e desapareceu há cerca de 13 mil anos, dividiu opiniões e provocou reação imediata entre cientistas. A empresa, sediada nos Estados Unidos, afirmou ter utilizado engenharia genética para trazer de volta uma versão modificada do animal, partindo do DNA de lobos-cinzentos — espécie ainda existente.
A proposta da Colossal foi editar 14 genes ligados a traços como pelagem, musculatura e porte físico, usando como referência fósseis encontrados em Ohio e Idaho. No total, 20 alterações genéticas foram realizadas. O resultado: três filhotes nascidos com características semelhantes às atribuídas ao lobo-terrível, mas que, segundo especialistas, estão longe de representar uma verdadeira ressurreição da espécie extinta.
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“São apenas lobos-cinzentos com modificações limitadas”, avaliam biólogos e geneticistas que acompanham o caso. Para eles, chamar o feito de “desextinção” é precipitado e cientificamente incorreto, já que a recuperação total do genoma de espécies extintas enfrenta obstáculos significativos — entre eles, a degradação natural do DNA ao longo do tempo.
Outro ponto de crítica recai sobre a ausência de publicação científica revisada por pares, padrão essencial para validar descobertas desse porte. A comunidade acadêmica destaca que, sem revisão independente, é impossível confirmar a robustez dos dados divulgados pela empresa.
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Apesar da inovação tecnológica, o anúncio gerou mais perguntas do que respostas. A Colossal reconhece que seus animais não são cópias perfeitas dos antigos predadores, mas defende que são os mais próximos geneticamente que a ciência já conseguiu criar até hoje.
Ainda assim, especialistas alertam: a linha entre inovação genética e especulação científica precisa ser traçada com rigor, especialmente quando o assunto envolve manipulação da biodiversidade e impactos éticos no futuro.
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