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quarta-feira, setembro 16, 2026

Memória celular pode ser a chave para entender a dificuldade de manter o peso perdido

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Manter o peso após um processo de emagrecimento é um desafio para muitas pessoas, frequentemente marcado pelo conhecido efeito sanfona, em que os quilos perdidos retornam com rapidez. Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH), na Suíça, apontam que a dificuldade pode estar ligada a um fenômeno pouco explorado: a “memória celular” das células de gordura.

Estudos conduzidos pela equipe analisaram amostras de tecido adiposo de pessoas com diferentes Índices de Massa Corporal (IMC) e realizaram experimentos com roedores submetidos a ciclos de ganho e perda de peso. As descobertas, publicadas recentemente na revista Nature, sugerem que, mesmo após o emagrecimento, as células adiposas retêm características de um organismo com sobrepeso.

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Essas alterações são associadas ao epigenoma, um conjunto de marcas químicas no DNA que regula a atividade dos genes. Em indivíduos obesos que perderam peso, alguns genes permanecem hiperativos, enquanto outros mostram baixa atividade, dificultando a adaptação do organismo a um padrão de peso reduzido. Entre os genes mais ativos, destacam-se aqueles relacionados a inflamações e formação de fibroses no tecido adiposo.

Mesmo após intervenções significativas, como cirurgias bariátricas, o comportamento das células de gordura não se normalizou completamente nos dois anos de observação. Em experimentos com camundongos, resultados semelhantes foram observados: as células adiposas de animais que emagreceram e voltaram a ganhar peso continuaram a absorver mais açúcar e gordura do que aquelas de animais que nunca estiveram acima do peso.

Os cientistas ainda investigam por quanto tempo essas alterações podem persistir e como elas influenciam o efeito sanfona. Apesar disso, as descobertas já reforçam que o retorno do peso não é um reflexo de “preguiça” ou falta de esforço, mas de processos biológicos complexos.

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Com a obesidade crescendo em escala global, entender os mecanismos por trás da memória celular das células adiposas pode ser um passo crucial para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. Embora a reeducação alimentar e a prática de exercícios permaneçam essenciais, novas terapias focadas em modificar esses padrões celulares podem oferecer soluções mais duradouras.

As pesquisas destacam a importância de olhar para o efeito sanfona sob uma nova perspectiva, considerando não apenas fatores comportamentais, mas também as respostas biológicas do corpo.

 

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