Pesquisadores identificaram evidências de práticas rituais envolvendo substâncias alucinógenas no Egito Antigo. Um vaso esculpido na forma do deus Bes, associado à música, nascimento e diversão, foi analisado com técnicas avançadas que revelaram a composição de uma bebida psicotrópica consumida há cerca de 2.200 anos. O estudo foi conduzido pela Universidade do Sul da Flórida e publicado na revista Scientific Reports.
A análise apontou a presença de ingredientes como arruda síria, nenúfar azul e plantas do gênero Cleome, conhecidos por seus efeitos alucinógenos. Além disso, elementos como gergelim, pinhão, alcaçuz e uvas foram encontrados, indicando que a mistura também buscava simular a aparência de sangue. Vestígios de fluidos corporais, como saliva e sangue, sugerem que o preparo foi consumido durante rituais.
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Acredita-se que a bebida fosse utilizada para recriar o Mito do Olho Solar, um episódio da mitologia egípcia no qual o deus Bes acalma Hathor, a deusa do céu, oferecendo-lhe uma bebida com drogas disfarçada de sangue para aplacar sua fúria.
Os especialistas também sugerem que o recipiente pode ter sido empregado em práticas oraculares, comuns na era greco-romana, quando pessoas buscavam respostas divinas em sonhos proféticos durante rituais ligados ao culto de Bes. Mulheres, especialmente, recorriam a esses ritos para saber sobre o futuro de suas gravidezes, em um tempo em que o parto representava alto risco.
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O vaso, atualmente no Museu de Arte de Tampa, nos Estados Unidos, foi adquirido em 1984 de um colecionador privado e, antes disso, pertencia a uma galeria no Cairo. A localização original de sua descoberta permanece desconhecida, mas seu conteúdo lança nova luz sobre os complexos rituais espirituais e medicinais do Egito Antigo.
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