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domingo, novembro 8, 2026

Quem é Pedro Alliana, novo presidente do Paraguai que busca recuperar o Partido Colorado

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Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai após o Congresso destituir Santiago Peña. Em seu discurso de posse, prometeu indenizar os afetados pela crise do Banco Ueno. (Foto: Instagram)

Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai nesta sexta-feira (06/11), poucas horas depois de o Congresso destituir Santiago Peña. O ex-presidente foi acusado de conflito de interesses por seus vínculos com o conglomerado que administra o Banco Ueno e acabou preso em casa, em Assunção, no mesmo dia do impeachment. A mudança manteve no poder a Associação Nacional Republicana (ANR), conhecida como Partido Colorado.

A crise começou após o Banco Central intervir no Banco Ueno, nesta semana, ao detectar problemas de solvência. A medida deixou milhões de paraguaios e várias instituições públicas sem acesso às economias. Centenas de pessoas comemoraram nas ruas de Assunção a decisão do Senado que encerrou o mandato de Peña. Em seu discurso de posse, Alliana prometeu indenizar integralmente os afetados e afirmou que não os abandonaria.

A troca na Presidência também fortaleceu um líder que já havia manifestado interesse em concorrer ao cargo em 2028. Para Rocío Duarte, doutora em Ciências Políticas e professora da Universidade Católica de Assunção, Alliana tem longa trajetória partidária. Diferentemente de Peña, visto como um tecnocrata com experiência financeira, ele é associado à base e aos integrantes do Partido Colorado. Duarte afirma que conhece a estrutura do partido em todo o país e se tornou uma figura influente na política nacional.

Alliana nasceu em Pilar, cidade do departamento de Ñeembucú, no extremo sul do Paraguai, diante da província argentina de Formosa. Filho de uma família com ligações políticas, ingressou ainda jovem no Partido Colorado, força conservadora que dominou grande parte da história política do país. Sua formação, porém, foi alvo de controvérsia: o jornal ABC Color informou que ele estudou Relações Internacionais na Universidade Autônoma de San Sebastián, após consultar suas credenciais junto ao Ministério da Educação. O partido o descreveu como um “homem do campo” atento às necessidades de produtores de diferentes portes.

Sua carreira política começou em 2006, quando concorreu sem sucesso à Prefeitura de Pilar. Em 2008, tornou-se governador de Ñeembucú, no mesmo ano em que o Partido Colorado perdeu pela primeira vez a Presidência do Paraguai. Depois do mandato, foi eleito deputado em 2013, chegou à presidência da Câmara dos Deputados e renovou seu mandato para um segundo período. Assim, construiu sua trajetória a partir da organização partidária local até alcançar a liderança nacional.

A relação com o ex-presidente Horacio Cartes também foi decisiva para sua ascensão, segundo Duarte. Alliana esteve próximo de Cartes desde o início da carreira política e integrou seu círculo íntimo. Algumas semanas antes da posse, porém, disse ter se afastado do ex-presidente porque ele tentou impor seu vice na chapa presidencial. Na tarde de quinta-feira, após a queda de Peña, os dois voltaram a aparecer juntos em uma reunião partidária e apoiaram o impeachment.

Duarte avalia que, como Cartes conseguiu se manter distante da crise do Banco Ueno, pode haver uma reaproximação entre as facções. O desafio imediato de Alliana é administrar os efeitos do colapso financeiro. Ele afirmou que as necessidades urgentes do Paraguai exigem presença nas ruas, nos hospitais e no campo. A resposta à crise poderá ajudar a consolidar sua liderança e a fortalecer a ANR para as eleições de 2028.

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