
Flávio Bolsonaro afirmou, em entrevista publicada neste sábado (7), que Donald Trump o recebeu nos Estados Unidos por considerar que o Brasil já não é uma democracia plena. O senador também contestou a avaliação do presidente do TSE de que a eleição foi justa, mas não apresentou provas de fraude. (Foto: Instagram)
Flávio Bolsonaro, senador do PL derrotado na eleição presidencial de 2026, afirmou em entrevista publicada pelo The Washington Post neste sábado, 7, que Donald Trump o recebeu nos Estados Unidos por estar “convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena”. A conversa ocorreu na quinta-feira, 5, em Aventura, ao norte de Miami, na Flórida. Flávio também disse que o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “não sabe do que está falando” ao considerar justo o resultado da eleição. Sem apresentar provas, alegou que as instituições brasileiras “não funcionam mais”.
Ao recordar o último encontro com o pai, Jair Bolsonaro (PL), antes de deixar o Brasil, Flávio disse que ele olhou para o filho com lágrimas nos olhos e afirmou: “Você já sabe onde isso vai chegar”. O senador contou que respondeu que sabia e que também sabia o que precisava fazer. Ele não quis explicar os detalhes da saída do país e declarou que ainda é cedo para tomar decisões definitivas. Disse que, por ora, precisa regularizar sua situação migratória e pensar nos próximos passos.
A reportagem descreveu a experiência de Flávio nos Estados Unidos como um choque físico e mental, mencionando que ele fala pouco inglês e alega irregularidades na eleição sem apresentar provas. O texto também caracterizou sua ida como uma saída secreta do Brasil e lembrou que Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe violento, embora possa ser libertado em breve. A situação judicial do senador foi apresentada como uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes foi descrito como adversário antigo da família Bolsonaro.
Flávio, a esposa e as duas filhas, de 12 e 14 anos, foram recebidos pelo governo Trump por razões humanitárias. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o senador poderá permanecer no país pelo tempo que desejar. Ainda não está claro, segundo a reportagem, se os democratas se oporão à permanência depois da vitória nas eleições de meio de mandato. Um funcionário de alto escalão do governo brasileiro, ouvido sob anonimato, disse que a polícia investiga se agentes dos Estados Unidos, da Argentina e de Israel ajudaram na saída de Flávio. Segundo essa fonte, um ex-agente do Mossad foi visto acompanhando a van que o levava à fronteira com a Argentina. O funcionário afirmou que as autoridades brasileiras não teriam chance de capturá-lo nos Estados Unidos. O secretário de Estado Marco Rubio negou envolvimento direto do governo norte-americano nos deslocamentos do senador.
A matéria também citou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, descrito como ex-parlamentar que vive no Texas enquanto é procurado pelas autoridades brasileiras. Em um vídeo recente, Eduardo chamou a ida do irmão de uma das operações “mais delicadas da história da América Latina” e disse que a equipe precisou enganar a todos para despistar suspeitas, inclusive fornecendo informações falsas a veículos de comunicação. Aliados de Flávio teriam criticado sua decisão em conversas privadas: um deles o chamou de “fraco” e considerou a fuga a pior atitude possível; outro disse ter achado a decisão chocantemente impulsiva.
O jornal relatou que Jair Bolsonaro tem repetido que a eleição foi roubada e questionado a dificuldade de auditar o sistema eleitoral brasileiro, considerado uma referência na política latino-americana. Os resultados costumam ser divulgados em poucas horas, sob observação internacional, e as autoridades não encontraram irregularidades. Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, afirmou repetidamente que a eleição foi justa. Flávio contestou: disse que ninguém, nem mesmo o presidente do TSE, poderia garantir com 100% de certeza que não houve fraude. Ao comparar Jair Bolsonaro e Donald Trump, a reportagem apontou que ambos alegaram fraude eleitoral e incitaram insurreições violentas; o brasileiro foi preso, enquanto o norte-americano voltou ao poder anos depois. Flávio afirmou que as instituições dos Estados Unidos ainda funcionam, mas as brasileiras não, e reiterou que Trump está convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena.



