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quarta-feira, novembro 4, 2026

Homem com condição rara no rosto relata preconceito em cafeteria: “Como se tivessem visto um fantasma”

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Amit Ghose, de 35 anos, denunciou ter sido vítima de preconceito em uma cafeteria de Londres, na Inglaterra, após uma funcionária se recusar a atendê-lo, supostamente por causa de sua aparência. O britânico convive desde a infância com neurofibromatose tipo 1, uma condição genética que pode provocar tumores no tecido nervoso e alterações físicas. Em entrevista à BBC News, ele contou que episódios como esse fazem parte de sua rotina e explicou como decidiu usar suas experiências para combater a discriminação.

Segundo Ghose, a situação aconteceu durante uma visita a uma cafeteria independente da capital britânica. Ao entrar no estabelecimento, ele foi informado por uma funcionária de que o atendimento havia sido encerrado, embora outras pessoas continuassem sendo atendidas. “Ah, não estamos mais servindo”, teria dito a mulher antes de se afastar.

O episódio deixou Ghose constrangido, especialmente pela reação das pessoas que estavam no local. “Todos estavam me olhando. Era como se quase tivessem visto um fantasma”, relatou. Ele acredita que a recusa de atendimento tenha sido motivada pelas características de seu rosto.

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Aos 11 anos, o britânico precisou passar por uma cirurgia para retirar o olho esquerdo e, desde então, utiliza uma prótese ocular. A neurofibromatose tipo 1 também pode causar alterações na pigmentação da pele e o desenvolvimento de tumores ao longo dos nervos.

O preconceito, segundo ele, não se limita a estabelecimentos comerciais. Durante uma visita recente a um parque, Ghose foi abordado por pessoas que inicialmente conversaram com ele, mas depois começaram a rir de sua aparência. “Meu Deus, se eu tivesse um rosto como o seu, eu nem sairia de casa”, disseram.

Após enfrentar situações como essas, Ghose decidiu escrever o livro infantil Born Different (Nascido Diferente, em tradução livre), voltado à aceitação das diferenças e ao respeito às pessoas. “Pensei comigo mesmo: ‘Preciso fazer algo a respeito. Agora é a hora certa’”, contou sobre a decisão de criar a obra.

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Em 2023, ele também começou a compartilhar sua história no TikTok, onde reuniu quase 200 mil seguidores. A experiência de falar publicamente sobre sua condição contribuiu para a maneira como passou a enxergar a própria aparência. “Ajudar as pessoas nas redes sociais compartilhando minha história me ajudou a me aceitar mais. Agora eu digo ao mundo: este sou eu, é pegar ou largar”, afirmou.

Além do trabalho de conscientização, Ghose mantém uma relação com o críquete desde a infância. Segundo ele, a prática esportiva teve importância na construção de sua identidade para além das características físicas. “Me ajudou a me tornar o Amit que joga críquete, e não apenas o garoto com uma cara engraçada”, concluiu.

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