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sábado, outubro 24, 2026

Ser mãe depois dos 40: o que está por trás da nova realidade das brasileiras?

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O aumento da maternidade após os 40 anos no Brasil tem chamado a atenção para os desafios enfrentados por mulheres que precisam conciliar a criação dos filhos, as responsabilidades profissionais e os cuidados com a própria saúde. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de nascimentos nessa faixa etária cresceu 71,8% entre 2004 e 2024, enquanto pesquisas sobre bem-estar apontam uma sobrecarga maior entre as trabalhadoras.

De acordo com as Estatísticas do Registro Civil, o país registrou 102,8 mil nascimentos de mães com 40 anos ou mais em 2024, diante de 59,9 mil duas décadas antes. No mesmo período, os registros de mães com até 19 anos diminuíram de 580,3 mil para 267,4 mil.

A mudança no perfil das famílias também amplia as discussões sobre as condições enfrentadas por mulheres que decidem ter filhos em uma fase mais avançada da vida. Além das demandas da primeira infância, parte delas precisa administrar compromissos profissionais e responsabilidades relacionadas ao cuidado de familiares idosos.

Essa sobreposição de tarefas ocorre em um cenário de desigualdade na divisão do trabalho doméstico. Segundo o Check-up de Bem-Estar 2025, realizado pela Vidalink com mais de 11,6 mil profissionais de 250 empresas, 38% das mulheres enfrentavam uma dupla jornada de trabalho, conciliando atividades profissionais e domésticas. Entre os homens, o percentual era de 24%.

O levantamento também identificou diferenças na saúde emocional. Em 2025, sete em cada dez mulheres entrevistadas relataram sentimentos frequentes de ansiedade, angústia ou desmotivação, enquanto entre os homens o índice foi de 51%. Os dados abrangem trabalhadoras de diferentes idades e não se referem exclusivamente às mães acima dos 40 anos. “Esse acúmulo de responsabilidades impacta a qualidade de vida e o sentimento de pertencimento das trabalhadoras”, analisa Magali Frare Corrêa, Head de Capital Humano da Vidalink.

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Para Taty Nascimento, especialista em liderança inclusiva, o problema também está relacionado à maneira como as responsabilidades familiares são consideradas no ambiente profissional. “Não estamos falando de fragilidade individual, mas de uma falência na forma como o trabalho e a vida social são organizados. O modelo atual ainda premia quem pode terceirizar o cuidado e penaliza quem precisa conciliar carreira com a vida real”, afirma.

Os resultados mais recentes da Vidalink indicam que as dificuldades relacionadas à saúde emocional continuam presentes. Na edição de 2026 do Check-up de Bem-Estar, realizada com 11,8 mil profissionais, 76% das mulheres afirmaram sentir ansiedade, angústia ou falta de vontade na maior parte dos dias. Entre os homens, o percentual chegou a 60%.

Outro fator que pode afetar a trajetória profissional de mulheres acima dos 40 anos é a menopausa. Uma pesquisa internacional encomendada pela farmacêutica Astellas, divulgada em 2025, identificou que 47% das brasileiras entrevistadas relataram algum impacto negativo no trabalho relacionado a essa fase. Entre as consequências mencionadas estavam dificuldades de produtividade, receio de conversar sobre os sintomas e episódios de discriminação.

Os dados também mostram que as mulheres recorrem com maior frequência a recursos de cuidado emocional. No levantamento de 2025 da Vidalink, 16% das entrevistadas afirmaram fazer terapia, contra 8% dos homens. O uso de medicamentos para saúde mental foi relatado por 18% das mulheres e 13% dos participantes masculinos.

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Apesar da procura por acompanhamento, especialistas defendem que o enfrentamento da sobrecarga não deve depender apenas de iniciativas individuais. A divisão das tarefas domésticas, a flexibilidade profissional e o apoio às pessoas responsáveis pelo cuidado de crianças e familiares estão entre os aspectos considerados importantes para melhorar as condições de trabalho.

“Equidade não é um tema periférico, é estratégico. As mulheres não deveriam precisar abrir mão do próprio bem-estar ou do crescimento para conciliar múltiplas demandas”, conclui Magali Frare Corrêa, da Vidalink.

O crescimento da maternidade após os 40 anos reforça a necessidade de discutir como as mudanças na composição das famílias se relacionam com o mercado de trabalho. Embora as pesquisas não permitam atribuir os índices de sofrimento emocional especificamente à maternidade tardia, elas mostram que a distribuição desigual das responsabilidades continua sendo um desafio para as mulheres brasileiras.

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