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sábado, outubro 24, 2026

Menina que nasceu com condição rara recebe olho biônico após sofrer bullying na escola

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Myah Hauxwell, uma menina britânica, passou por uma transformação em sua rotina após receber uma prótese ocular desenvolvida nos Estados Unidos. Nascida com microftalmia grave, condição rara que compromete a formação de um dos olhos durante a gestação, ela enfrentou anos de bullying e chegou a evitar sair de casa. Com a ajuda de uma campanha de arrecadação, a família conseguiu custear a viagem e o tratamento, que permitiram à criança recuperar a confiança e retomar suas atividades.

Moradora de Mansfield, em Nottinghamshire, na Inglaterra, Myah passou por diversas intervenções cirúrgicas desde pequena. Segundo sua mãe, Lauren Hauxwell, a filha precisou utilizar diferentes próteses para preservar a estrutura da cavidade ocular, mas enfrentava problemas de adaptação, infecções e dificuldades para encontrar uma peça que combinasse com sua aparência.

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A situação também afetou sua convivência escolar. Lauren contou que a filha recebia comentários sobre o olho quase diariamente, incluindo ofensas e ameaças de outras crianças. Com o passar do tempo, Myah perdeu o interesse em frequentar a escola, encontrar amigos e participar das atividades de que gostava. “Uma criança disse: ‘Vou chutar seu rosto e quebrar seus óculos’. As pessoas simplesmente disseram a ela: ‘Você é feia'”, relatou a mãe.

A condição foi identificada no nascimento. Lauren afirmou que os exames realizados durante a gravidez não haviam apontado alterações e que só descobriu o problema quando viu a filha pela primeira vez. “Nenhum dos meus exames durante a gravidez mostrou que havia algo errado. Um dos olhos dela estava afundado no rosto e não parecia funcionar corretamente. Ela é perfeita, mas eu estava preocupada com o que o futuro reservava”, contou.

A microftalmia é uma malformação congênita caracterizada pelo desenvolvimento incompleto de um ou ambos os olhos. Nos casos mais graves, pode provocar comprometimento importante da visão e exigir acompanhamento especializado desde os primeiros meses de vida.

Ao longo da infância, Myah passou por 24 cirurgias de grande porte, segundo o relato divulgado pela família em uma campanha de arrecadação. Entre os procedimentos estiveram enxertos de pele e gordura, retirada do olho afetado e tratamentos para granulomas e infecções recorrentes.

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Diante das dificuldades, Lauren começou a procurar alternativas fora do Reino Unido.  Durante os seis dias de permanência na cidade, foram produzidas três próteses personalizadas. Uma delas possui uma íris digital e uma pupila que simula alterações de tamanho conforme a iluminação. A menina também recebeu uma peça reserva e outra com características decorativas, escolhidas especialmente para ela.

A prótese decorativa reúne um coração, cores de arco-íris e elementos que brilham no escuro. Segundo Lauren, cada detalhe foi pensado para representar características da personalidade da filha. “Um coração está no centro, pelo grande coração que ela tem pelas pessoas e pelo amor que sente. É colorido como um arco-íris porque sempre há um arco-íris depois da tempestade. E brilha no escuro porque ela é uma superbebê com um poder especial”, explicou.

Após receber a nova prótese, Myah voltou a participar de atividades como canto, dança, futebol e teatro. A mãe também decidiu transferi-la para outra escola devido aos episódios de bullying, e a menina começou a fazer novas amizades. “Tenho minha menina de volta. Ela agora está aproveitando a vida e simplesmente sendo criança. Ganhou muita confiança e começou em uma escola nova, porque a tirei da antiga devido ao bullying”, declarou Lauren.

A família afirma que a nova prótese se ajusta melhor à cavidade ocular e que Myah deixou de apresentar as infecções que enfrentava anteriormente. A menina também passou a demonstrar interesse em trabalhar como modelo e compartilhar sua experiência para incentivar outras pessoas com deficiência.

Apesar da mudança, o acompanhamento precisa continuar. Como Myah ainda está em fase de crescimento, as próteses necessitam de substituições periódicas para acompanhar as alterações em seu rosto. Segundo a família, o ideal seria realizar uma nova adaptação a cada seis meses, mas os custos e a distância tornam as viagens frequentes inviáveis.

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Por esse motivo, Lauren iniciou uma nova campanha para arrecadar 50 mil libras, cerca de 332 mil reais, valor destinado à produção de próteses anuais até a filha completar 18 anos. A proposta é reservar os recursos em um fundo e utilizar uma quantia por ano para custear uma nova peça.

Na campanha, a família também informou que Myah recebeu recentemente diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e tiques. Lauren explicou que dificuldades no encaixe da prótese podem afetar ainda mais o bem-estar da filha e relatou que duas peças fornecidas pelo sistema público de saúde britânico não puderam ser utilizadas.

Enquanto busca recursos para manter o tratamento, a família continua compartilhando a evolução da menina. Para Lauren, a principal mudança está na maneira como a filha voltou a se relacionar com outras pessoas e a participar de atividades que havia abandonado. “Ela está feliz em sair e encontrar amigos. Agora quer trabalhar como modelo e mostrar ao mundo que não há problema em ser diferente”, afirmou.

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