
Placas de campanha de Benjamin Netanyahu e de um candidato rival às margens de uma estrada em Israel, quatro dias antes das eleições gerais (Foto: Instagram)
No início desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou apoio ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições gerais de Israel, marcadas para o próximo dia 27. Apesar do endosso, o cenário permanece profundamente dividido. Nem a coalizão governista nem a oposição alcançam os 61 mandatos necessários para formar maioria no Knesset, e a polarização segue sem mudanças significativas.
Segundo as pesquisas, o eleitorado está fragmentado e nenhum dos lados supera o mínimo de cadeiras. A aliança de Netanyahu reúne partidos de direita e centro, enquanto a oposição, contando com várias legendas de centro-direita e centro, não atinge a soma exigida. A incerteza sobre quem formará governo está mantida, já que ambos carecem de 61 assentos para aprovação de medidas.
Poucas horas após o anúncio de Trump, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército e líder do partido Yashar, que aparece em primeiro nas sondagens, reagiu em entrevista ao principal telejornal do país. Ele afirmou respeitar Trump, mas garantiu ter competência para substituir Netanyahu, a quem chamou de líder "do pior governo da história de Israel". Eisenkot minimizou a influência do endosso americano em sua campanha.
Pesquisas recentes apontam queda na percepção sobre Trump e a segurança de Israel. O Índice de Democracia de Israel (IDI) indicou que 44% dos entrevistados viam a segurança nacional como preocupação central do presidente dos EUA em junho, contra 60% em março. Entre árabes-israelenses, esse índice subiu de 43% para 59%, enquanto entre judeus caiu de 64% para 41%. Já o Pew Research Center registrou 81% de avaliação favorável aos EUA no país.
Com apenas quatro dias para o pleito, o risco de um novo confronto com o Irã domina o debate. Fontes de segurança avaliam ser inevitável um choque entre Estados Unidos e Irã. Politicamente, Netanyahu reforçou a narrativa de que Teerã retomou seu programa nuclear, acusando o líder supremo, Mojtaba Khamenei, de relançar ambições bélicas. Em discurso, o premiê orientou as Forças de Defesa, o Mossad e outras agências a "derrubar o regime iraniano" para eliminar a ameaça.
Embora nunca tenha havido cancelamento de eleições em Israel, o adiamento já ocorreu em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, quando o pleito foi postergado de outubro para dezembro. Em entrevista ao Canal 12, o ex-primeiro-ministro Ehud Barak acusou Netanyahu de preparar um conflito para adiar a votação. Nos bastidores do próprio Likud, teme-se que uma guerra antes do dia 27 beneficie Eisenkot. O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, enfatiza que a prioridade do Exército é garantir o processo eleitoral seguro e pontual.
Reportagem de Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel



