
Lula com expressão séria enquanto Flávio Bolsonaro gesticula durante debate na Band (Foto: Instagram)
A cobertura global destacou o primeiro embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aconteceu no domingo, 18 de outubro, em um debate televisionado pela Band. A maioria dos veículos estrangeiros definiu o confronto como marcado por tensão, caos e ataques pessoais que se sobrepuseram às discussões sobre propostas de governo.
Reconhecidos pelo agregador de pesquisas da BBC News Brasil como líderes nas intenções de voto, Lula e Bolsonaro chegam ao segundo turno tecnicamente empatados, após o presidente ter obtido 45% e o senador 47% no primeiro turno, a menos de sete dias da votação. Até então inédita na campanha, a participação simultânea no debate revelou a pouca experiência de ambos em confrontos diretos em ambiente televisionado.
O jornal francês Le Monde destacou que o encontro foi “caótico”, registrando trocas de insultos, acusações de corrupção e exposição de escândalos. Os repórteres observaram que Bolsonaro procurou desestabilizar o adversário ao andar atrás dele, balançar a cabeça e sorrir de forma irônica enquanto Lula falava. O presidente, por sua vez, buscou manter a compostura e orientou o público a verificar na internet as informações que contestavam as acusações do oponente.
O diário argentino Clarín definiu o embate como um momento de “alta tensão”, enfatizando que ambos os candidatos se dedicaram mais a trocar denúncias de corrupção do que a apresentar planos de governo. Segundo o veículo, Lula tentou retomar terreno após a surpresa de não vencer o primeiro turno, enquanto Bolsonaro ressuscitou acusações de irregularidades contra o PT.
Também na Argentina, o La Nación apontou que o debate foi menos um confronto de ideias e mais um festival de provocações mútuas, com o objetivo comum de elevar a rejeição ao adversário. O jornal frisou a escassez de propostas concretas e a predominância de ataques pessoais e referências ao presidente argentino Javier Milei. Segundo a publicação, apesar dos momentos tensos, nenhum deslize grave inclinou a disputa de maneira definitiva.
O espanhol El País observou que o presidente apareceu com perfil mais tecnocrata, enquanto Flávio atuou como provocador, buscando irritar Lula e criar um desequilíbrio no debate. O veículo lembrou que Bolsonaro tentou cercar o adversário com acusações de corrupção envolvendo seu filho e seu partido, enquanto o presidente rebatia classificando-o como mentiroso e mencionando supostos vínculos do senador com o crime organizado e teorias conspiratórias nos Estados Unidos.
A rede catariana Al Jazeera também ressaltou que o debate se concentrou em ataques pessoais, como quando Lula chamou Bolsonaro de “mentiroso contumaz” e “bandido”, mantendo distância física dele no palco, e quando o senador ironizou o rival afirmando que mantinha distância “para não ter a carteira roubada”.



