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quinta-feira, outubro 15, 2026

Chevrolet Silverado sem cabine dispensa motorista em versão militar

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Versão militar autônoma da Chevrolet Silverado 3500HD exposta na AUSA 2026. (Foto: Instagram)

A GM Defense revelou na feira AUSA 2026 uma versão militar da Chevrolet Silverado 3500HD sem cabine e sem motorista, desenvolvida para missões de transporte logístico e evacuação de feridos em ambientes de risco. O protótipo aproveita componentes de veículos comerciais da marca e foi projetado para operar totalmente de forma autônoma, sem necessidade de operador a bordo.

A picape adota a plataforma original da Silverado 3500HD, equipada com rodas traseiras duplas e controles drive-by-wire, que substituem conexões mecânicas por comandos elétricos. A condução é gerida pelo sistema Gx Ground Agent, da Scout AI. O modelo conta com bateria de 100 kWh e suporta até 8 mil libras de carga (cerca de 3,6 toneladas). A estrutura modular permite instalar diferentes equipamentos conforme a missão, como o laser antidrone LOCUST X3 e o sensor acústico Squarehead Discovair G2+.

Segundo a GM, o veículo ainda está em fase de desenvolvimento e deve ser entregue como demonstrador tecnológico ao Exército dos Estados Unidos até junho de 2027. Esse cronograma inclui testes de guerra simulada e avaliações de desempenho logístico, validando sua aplicação em cenários reais sem operador no cockpit.

Paralelamente a esse projeto, a divisão de Defesa da General Motors ampliou seu engajamento com o Exército americano no programa Infantry Squad Vehicle (ISV). A expectativa de contratação do modelo baseado na Chevrolet Colorado ZR2 subiu de 649 para quase 12 mil unidades. Além disso, a GM Defense disputa a versão pesada do projeto (ISV-Heavy), estimada em até 606 veículos, com Ford e BC Customs, cada concorrente devendo entregar três protótipos até março de 2027.

No setor civil, a tecnologia de condução autônoma em veículos pesados também avança. A Aurora Innovation iniciou em abril de 2025 o transporte comercial de cargas em rodovias do Texas. Até junho de 2026, seus caminhões acumularam quase 440 mil milhas (cerca de 708 mil quilômetros) sem motorista e sem colisões atribuídas ao sistema. A empresa planeja encerrar 2026 com 200 veículos em operação e chegar a 30 mil unidades até 2030, atendendo clientes como FedEx, Schneider, Uber Freight e Werner. A Volvo Autonomous Solutions, parceira da Aurora, pretende lançar suas operações autônomas no primeiro trimestre de 2027.

O avanço da autonomia ocorre em meio a uma escassez estrutural de motoristas. Segundo relatório da IRU, havia cerca de 2,9 milhões de vagas de caminhoneiro não preenchidas em 2025, equivalente a 11% da força de trabalho global, e 13% na Europa. No Brasil e no México, limitações na formação e retenção de profissionais mantêm o déficit elevado. Dados da Senatran e do ILOS mostram que o país perdeu 1,2 milhão de caminhoneiros habilitados em dez anos, totalizando 4,4 milhões. Entidades estimam falta de mais de 120 mil motoristas, cuja idade média é de 45 anos. Para enfrentar esse cenário, o governo federal ampliou o programa CNH Brasil, que já elevou em 25% o número de aprovações, e busca parcerias com guardas municipais, polícias e Forças Armadas.

Enquanto no transporte rodoviário há carência de condutores, no setor de mineração brasileiro a automação avança em ambientes controlados. A Vale opera atualmente 14 caminhões autônomos de 320 toneladas no Sistema Norte, em Carajás (PA), e firmou acordo com Caterpillar e Sotreq para expandir essa frota nos próximos cinco anos. A mineradora conta hoje com mais de 70 equipamentos autônomos em operação no país.

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