Brooklyn Marris, de 17 meses, precisou ser internada em uma unidade de terapia intensiva pediátrica após adoecer gravemente depois de consumir leite de cabra cru. A menina, que vive em Winchester, no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, foi diagnosticada com síndrome hemolítico-urêmica e chegou a precisar de ventilação mecânica e diálise durante o tratamento.
Os primeiros sintomas apareceram em junho de 2025, quando Brooklyn voltava de uma aula de natação com a mãe, Emily, e vomitou dentro do carro. Nos dois dias seguintes, seu estado piorou e a criança passou a vomitar um líquido primeiro amarelo e depois de coloração escura e esverdeada.
Preocupados, Emily e o marido, Josh, levaram a filha ao pronto-socorro. Os resultados dos exames de sangue fizeram com que os médicos solicitassem a transferência da menina para uma UTI pediátrica localizada a cerca de 112 quilômetros de distância.
No hospital, Brooklyn não conseguia permanecer acordada, teve convulsões e apresentou comprometimento dos rins e do funcionamento do coração. Ela foi colocada em um ventilador para auxiliar a respiração e passou por diálise enquanto recebia tratamento.
A criança foi diagnosticada com síndrome hemolítico-urêmica, condição rara na qual coágulos sanguíneos atingem pequenos vasos dos rins e podem provocar danos graves aos órgãos. O quadro foi associado ao consumo de leite de cabra.
Emily havia começado a oferecer o produto à filha durante o processo de desmame. A mãe tinha iniciado o uso de um medicamento que poderia passar pelo leite materno, estava preocupada com a quantidade de aditivos presentes em fórmulas infantis e relatou que o leite de vaca provocava constipação na menina.
++ Humanos poderão viver até os 150 anos e cientista diz que primeira pessoa já nasceu
O leite de cabra cru foi comprado em uma fazenda recomendada em um grupo no Facebook administrado pelo quiroprático de Emily. Segundo ela, o recipiente não tinha rótulo e ainda estava quente quando foi adquirido. Como os problemas intestinais da filha melhoraram, a mãe continuou oferecendo o produto durante seis meses.
Emily afirmou que o proprietário da fazenda garantiu que o leite era “limpo e testado”. Depois da internação da filha, no entanto, disse ter descoberto que o produto não havia sido testado para E. coli.
Ao falar sobre a decisão de oferecer o leite à criança, Emily contou à ProPublica que passou a se culpar pelo que aconteceu. “Fui eu quem deu isso a ela. Como pude ser tão estúpida?”, declarou. Durante os dias em que acompanhou a filha internada, a mãe afirmou que não sabia se Brooklyn sobreviveria. “Vou me odiar até o dia em que morrer por ter permitido que isso acontecesse”, disse.
Brooklyn conseguiu se recuperar, mas apresentou consequências após deixar o hospital. A menina iniciou fisioterapia, passou a caminhar com uma leve dificuldade e começou a ter terrores durante a noite. Os médicos também alertaram a família sobre a possibilidade de problemas renais a longo prazo. Por isso, ela deverá passar por acompanhamento com um nefrologista a cada seis meses.
++ Mãe de três filhos desaparece sem deixar pistas e é encontrada viva quase 24 anos depois
O leite cru não passa pelo processo utilizado para eliminar bactérias potencialmente perigosas. Esses produtos podem conter micro-organismos como E. coli, Salmonella, Campylobacter e Listeria, associados a quadros de intoxicação alimentar e sintomas como diarreia, cólicas, vômitos, febre, dores de cabeça e no corpo.
As famílias de Brooklyn e Victoria entraram juntas com uma ação contra a fazenda. Elas alegam que o estabelecimento vendeu leite cru contaminado apresentado como próprio para consumo humano. O processo segue em andamento.
Após a experiência com a filha, Emily passou a publicar alertas em grupos do Facebook semelhantes ao espaço em que recebeu a indicação do leite de cabra cru, com o objetivo de chamar a atenção de outras mães para os riscos relacionados ao consumo do produto.



