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domingo, setembro 20, 2026

Alerta! Vape pode causar doença pulmonar sem cura e irreversível

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Um adolescente nos Estados Unidos desenvolveu bronquiolite obliterante, conhecida popularmente como “pulmão de pipoca”, após usar cigarros eletrônicos em segredo durante três anos. A doença é rara, grave e irreversível e provoca danos nas pequenas vias aéreas dos pulmões, podendo causar tosse persistente, chiado, fadiga e falta de ar.

De acordo com informações do The Conversation, a condição recebeu o apelido de “pulmão de pipoca” após trabalhadores de uma fábrica de pipoca de micro-ondas desenvolverem problemas respiratórios no início dos anos 2000 depois de inalarem diacetil, substância utilizada para dar sabor amanteigado ao produto.

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O diacetil, também chamado de 2,3-butanodiona, é um agente aromatizante que pode se tornar tóxico quando aerossolizado. A exposição pode provocar inflamação e cicatrização dos bronquíolos, que são os menores ramos das vias aéreas, dificultando a passagem do ar e causando danos permanentes.

Embora o diacetil seja apontado como a causa mais frequente da doença, outros produtos químicos também podem estar envolvidos. Entre eles estão carbonilas voláteis, como formaldeído e acetaldeído, substâncias que também foram detectadas em vapores de cigarros eletrônicos.

A doença não tem cura. Quando os pulmões já foram danificados, o tratamento é voltado ao controle dos sintomas e pode envolver broncodilatadores e esteroides. Em situações extremas, pode ser necessário um transplante de pulmão.

A preocupação também está relacionada à variedade de substâncias presentes nos cigarros eletrônicos. Os líquidos utilizados nos dispositivos podem conter nicotina e diferentes agentes aromatizantes. Muitos deles são aprovados para utilização em alimentos, mas isso não significa que sejam seguros quando inalados.

Quando uma substância é ingerida, ela passa pelo sistema digestivo e pelo fígado antes de chegar à corrente sanguínea. Na inalação, esse processo é diferente, já que os compostos chegam diretamente aos pulmões e podem alcançar a corrente sanguínea.

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O uso de cigarros eletrônicos também já foi relacionado a outros problemas respiratórios. Em 2019, um surto de lesões pulmonares associado ao uso de cigarros eletrônicos e vaporizadores, conhecido como EVALI, provocou 68 mortes e mais de 2.800 hospitalizações nos Estados Unidos. O episódio foi associado ao acetato de vitamina E, utilizado como agente espessante em alguns vaporizadores de cannabis. Quando aquecido, o composto produz ceteno, um gás altamente tóxico.

Além do diacetil, outros compostos utilizados como substitutos, como acetoína e 2,3-pentanodiona, também podem apresentar riscos. A exposição acumulada a diferentes substâncias químicas e aos compostos formados durante o aquecimento pode estar relacionada a problemas respiratórios.

Estudos recentes também apontam preocupação com a saúde respiratória de adolescentes que utilizam cigarros eletrônicos. Uma pesquisa multinacional identificou maior relato de sintomas respiratórios entre adolescentes que fazem vaping, mesmo após considerar o histórico de tabagismo. O estudo também relacionou determinados sabores, sais de nicotina e frequência de uso aos sintomas.

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