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quinta-feira, setembro 17, 2026

Menino de 11 anos faz descoberta surpreendente sobre borboletas e chama atenção de pesquisadores

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Aos 11 anos, Jo Nagai, de Kobe, no Japão, chamou a atenção de pesquisadores ao investigar se as borboletas conseguem manter algum tipo de memória mesmo depois da metamorfose, processo em que a lagarta passa por grandes mudanças no corpo até se transformar. O estudo também encontrou sinais de que esse comportamento pode aparecer nas gerações seguintes.

A curiosidade de Jo começou quando ele estava no segundo ano do ensino fundamental e criava borboletas da espécie Papilio xuthus. Ele percebeu que algumas continuavam voando perto dele mesmo depois de serem soltas. A partir daí, começou a questionar se elas poderiam se lembrar de experiências vividas quando ainda eram lagartas.

Aos 8 anos, em 2022, Jo encontrou pesquisas da entomologista Martha Weiss, da Universidade de Georgetown, sobre a possibilidade de mariposas adultas manterem memórias da fase de larva. Ele então escreveu uma carta para a pesquisadora. “Sempre achei que minhas borboletas poderiam se lembrar de mim mesmo depois da metamorfose”, escreveu Jo.

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Na mesma carta, ele explicou por que queria continuar investigando o assunto: “Eu realmente quero provar que é possível que minhas borboletas se lembrem do que aprenderam quando eram lagartas. Não quero desistir agora. Preciso muito da sua ajuda”.

Os dois começaram uma colaboração que durou anos. Jo participou do planejamento, da realização e da análise dos experimentos.

Para testar a hipótese, as lagartas foram treinadas para associar o cheiro de lavanda a um estímulo desagradável. Depois da metamorfose, as borboletas adultas foram colocadas em um aparelho com dois caminhos. Um deles tinha cheiro de lavanda e o outro não.

O resultado chamou atenção: 70,9% das borboletas que passaram pelo treinamento evitaram o cheiro de lavanda. Entre os filhotes, que não haviam passado pelo treinamento, 64,8% também evitaram o odor. Na geração seguinte, o número foi de 60%. No grupo de controle, a taxa foi de 51%.

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Os dados foram apresentados em 2026, durante o 73º Congresso Anual da Sociedade Ecológica do Japão, em Kyoto.

Os resultados indicam que algum efeito relacionado à experiência das lagartas pode permanecer depois da metamorfose e até aparecer nas gerações seguintes. Uma das possibilidades levantadas no estudo é a epigenética, mecanismo que pode alterar a forma como os genes funcionam sem modificar o DNA.

Os pesquisadores, porém, destacam que isso ainda não significa que as borboletas tenham uma memória consciente como a dos seres humanos. Novos estudos e pesquisas independentes ainda são necessários para entender o fenômeno.

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