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domingo, setembro 20, 2026

JPMorgan rebaixa recomendação para Brasil: dólar sobe e Bolsa cai

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Rolos de notas de dólar simbolizam a valorização da moeda frente ao real (Foto: Instagram)

O dólar apresentou uma alta de 0,98% frente ao real, sendo cotado a R$ 5,16 nesta terça-feira (11/8). No dia anterior, a moeda americana já havia subido 0,54%, alcançando R$ 5,11.

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Por outro lado, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), encerrou o dia em queda de 2,50%, atingindo 167,8 mil pontos, o menor valor desde janeiro, quando chegou a 166,2 mil pontos. Este foi o sexto dia consecutivo de baixa do índice.

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Ambos os indicadores começaram o dia estáveis. Contudo, por volta das 10h30, houve uma mudança brusca, levando a uma alta do dólar e uma queda acentuada do Ibovespa.

Analistas apontam que diversos fatores contribuíram para o pessimismo dos investidores, que demonstraram forte aversão ao risco. Entre os motivos estão uma inflação ligeiramente acima do esperado, uma ata considerada "dura" do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e incertezas sobre o conflito no Irã.

O principal fator, no entanto, foi um relatório do JPMorgan, que rebaixou a recomendação de investimentos no Brasil de "overweight" (acima da média do mercado, equivalente a "compra") para neutro.

A justificativa para essa mudança é que o ciclo de flexibilização monetária está se aproximando do fim, enquanto o crescimento econômico desacelera e o crédito se deteriora.

Para o banco, o cenário econômico é incerto, pois o vencedor das eleições presidenciais precisará lidar com juros reais altos e um déficit fiscal.

No cenário interno, os investidores acompanharam novos dados sobre a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% em julho, após alta de 0,16% em junho, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa foi a menor taxa para o mês de julho desde 2022, quando o IPCA recuou 0,68%. O resultado de julho, porém, superou as expectativas do mercado, que previa um aumento de 0,03%, segundo levantamento da Reuters. O setor de serviços foi o responsável pela surpresa.

O Comitê de Política Monetária (Copom) também divulgou nesta terça-feira a ata da última reunião, realizada em 5 de agosto, quando decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano.

Para muitos analistas, a ata foi mais rígida do que o comunicado emitido após a decisão. No documento, o BC deixou claro que o corte dos juros não implica uma sequência automática de novas reduções. O Comitê adotou um tom mais severo em relação às expectativas de inflação.

Uma nova pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua liderando sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral. No entanto, a diferença entre os dois candidatos diminuiu em um possível segundo turno, com o presidente alcançando 48% das intenções de voto contra 39,1% do senador. Em junho, a vantagem de Lula era de doze pontos percentuais, agora é de nove.

No cenário internacional, apesar das dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o ritmo de alta do petróleo desacelerou nesta terça-feira.

O preço do barril de Brent, referência internacional, subiu 1,36%, para US$ 88,91. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, aumentou 1,30%, para US$ 83,20. Na segunda-feira (10/9), as altas foram de 4,99% e 5,05%, respectivamente.

Para João Vitor Saccardo, analista de renda variável da corretora Convexa, o Ibovespa caiu devido ao IPCA acima do esperado, ao rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan e à ata do Copom.

"O petróleo também subiu, aproximando-se dos US$ 90 por barril", afirmou. "Com isso, os juros futuros subiram nas pontas mais curtas e no meio da curva, enquanto as longas ficaram estáveis."

Ele destaca que a ata do Copom gerou dúvidas sobre um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, na próxima reunião em setembro. "O dia foi de aversão ao risco, com saída de capital estrangeiro e todos os setores da Bolsa corrigindo fortemente."

Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da corretora, ressalta que o dólar se descolou do cenário internacional, onde a moeda americana estava estável. "O movimento acentuado refletiu o pessimismo dos investidores após o relatório do JPMorgan que rebaixou a recomendação do Brasil para neutra, alertando para juros elevados e déficit fiscal."

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa, destaca o impacto da ata do Copom no pregão. "Apesar de reconhecer a desaceleração da atividade e da inflação, o Comitê destacou que as expectativas permanecem desancoradas, exigindo uma política monetária restritiva por mais tempo", afirmou.

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