O governo brasileiro não pretende atender ao pedido do Paraguai para a devolução de canhões e outros objetos históricos relacionados à Guerra da Tríplice Aliança. A solicitação foi apresentada por Assunção em meio ao desgaste diplomático provocado por declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o conflito travado no século XIX.
Em nota oficial, o governo paraguaio afirmou que a restituição de peças históricas, como o Canhão Presidente López e o Canhão Cristiano, representaria um gesto simbólico de reparação entre os dois países. O documento também solicita o compartilhamento de cópias de documentos sobre a guerra que integram os arquivos históricos brasileiros.
Apesar da reivindicação, fontes do governo brasileiro afirmam que a devolução dos artefatos não está em discussão. A avaliação é de que os objetos integram o patrimônio histórico nacional e, por isso, não há previsão de abertura de negociações para sua restituição.
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O pedido foi apresentado após declarações de Lula durante um evento em São Paulo, quando o presidente afirmou que “o Paraguai resolveu invadir o Brasil” ao comentar a origem da Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai. A fala gerou reação imediata do governo paraguaio, que classificou a interpretação como uma distorção de um episódio considerado central para a história do país.
Em resposta, a chancelaria paraguaia convocou o embaixador brasileiro em Assunção para prestar esclarecimentos e entregou uma nota de repúdio ao governo brasileiro. No documento, o Paraguai rejeita as declarações e reafirma sua própria interpretação histórica sobre o conflito.
Travada entre 1864 e 1870, a Guerra da Tríplice Aliança colocou o Paraguai em confronto com Brasil, Argentina e Uruguai. Considerado o maior conflito armado da história da América do Sul, o episódio provocou profundas perdas territoriais, econômicas e humanas para o Paraguai, permanecendo como um dos acontecimentos mais sensíveis da memória nacional do país.
Apesar do impasse, integrantes da diplomacia brasileira avaliam que a atual tensão tende a ser passageira e classificam o episódio como um “ruído conjuntural”. A expectativa é de que a divergência não comprometa a cooperação bilateral entre Brasil e Paraguai, que mantêm uma relação estratégica em áreas como comércio, energia e integração regional.
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