
Dólar cai a R$ 5,06 e Ibovespa avança 1,76% impulsionado por fatores externos e internos (Foto: Instagram)
Nesta quinta-feira (30/7), o dólar apresentou uma desvalorização de 0,92% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,06. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), operava próximo ao fechamento com uma alta expressiva de 1,76%, alcançando 176,9 mil pontos. Com esse avanço, o índice reverteu as perdas do dia anterior, quando caiu 1,52%, atingindo 173,8 mil pontos.
++ Comissária é lançada a 90 metros após colisão de avião nos EUA e sobrevive
Durante o pregão, diversos fatores contribuíram para melhorar o humor dos investidores, tanto no cenário externo quanto no interno. No final do dia, essa combinação de elementos resultou em uma melhora generalizada na percepção de risco, especialmente no mercado internacional. Até mesmo a possível venda de dólares pelo Japão favoreceu o real e o Ibovespa.
++ Universitária descobre tumor cerebral após sintomas serem atribuídos ao estresse
No cenário internacional, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos registrou uma queda de 0,1% em junho, em comparação com o mês anterior. Em maio, o índice havia subido 0,5%. Na comparação anual, o PCE avançou 3,7% em junho.
O PCE é a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. O núcleo do índice, que exclui preços voláteis como de energia e alimentos, subiu 0,1% no mês, enquanto em maio, a alta foi de 0,3%.
Além disso, o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio dos EUA divulgou a estimativa inicial do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que cresceu 1,5% no segundo trimestre. Economistas consultados pela Reuters esperavam um crescimento de 2,1%.
Tanto a queda do PCE em junho quanto o crescimento mais fraco do PIB diminuem a pressão sobre o Federal Reserve para elevar os juros básicos do país. Na quarta-feira, o Fed decidiu manter a taxa no intervalo atual de 3,50% a 3,75%. Mesmo assim, analistas esperam duas elevações até o final de 2026.
No cenário internacional, novos ataques intensificaram e expandiram o conflito entre Estados Unidos e Irã, envolvendo a Arábia Saudita e afetando o Egito. No entanto, os confrontos não foram suficientes para elevar o preço do petróleo.
Pelo contrário, o barril do Brent, referência internacional, caiu 1,37%, para US$ 86,88. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuou 1,04%, para US$ 83,58.
No cenário interno, o investidor acompanhou a divulgação de dados econômicos importantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no país caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026.
Esse resultado representou uma queda em relação ao primeiro trimestre (6,1%) e ao mesmo período do ano anterior (5,8%). A taxa de 5,4% é a menor para um segundo trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012.
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 1,16% em julho, após um recuo de 0,50% no mês anterior. A expectativa do mercado, conforme pesquisa da Reuters, era de uma queda de 1,09% neste mês. O IGP-M é usado como referência para diversos ajustes de preços na economia, como aluguéis.
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avalia que a valorização do real foi impulsionada pelo enfraquecimento global do dólar. Às 16h15, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, registrava queda de 0,89%, a 99,92 pontos.
Para Nossig, essa queda foi resultado, em parte, de dados fracos da economia dos EUA, como o PIB e o PCE. “Isso reduz a pressão sobre o Federal Reserve para novos aumentos de juros”, explica.
Por outro lado, a analista aponta que a desvalorização ganhou força com suspeitas de intervenção do governo japonês no mercado de câmbio. “A provável venda maciça de dólares pelo Japão para conter a queda do iene pressionou o índice DXY para baixo, criando um efeito cascata de liquidez que beneficia moedas de países emergentes”, afirma.
Ela destaca que, no âmbito doméstico e das commodities, o movimento favorável ao real foi reforçado pelo alívio nas cotações do petróleo. “Após uma alta recente devido a tensões no Oriente Médio, os preços do petróleo passaram por uma correção, aliviando preocupações com a inflação global”, diz. “Além disso, o mercado local reflete um bom humor sustentado pela queda no desemprego e pela expectativa positiva em relação à temporada de balanços das empresas.”
Rebecca Nossig observa que a “melhora generalizada no sentimento de risco internacional, combinada à fraqueza global do dólar, atraiu capital estrangeiro para a Bolsa brasileira, pressionando a taxa de câmbio para baixo e contribuindo para a alta do Ibovespa”.
Joao Vitor Saccardo, especialista em renda variável da Convexa, destaca que a alta do Ibovespa também foi impulsionada por uma “comunicação mais branda” do Fed, o que reduziu as expectativas de novas altas de juros. “A queda dos juros futuros favoreceu especialmente os setores de serviços, varejo e construção, enquanto a valorização das ações da Petrobras (+1,2%) e da Vale (+0,64%) colaboraram para o desempenho positivo do Ibovespa”, afirma.
Emerson Vieira Junior, responsável pela mesa de câmbio da Convexa, considera que o dólar caiu frente ao real, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana. “A mudança nas expectativas para os juros nos EUA, após uma comunicação mais branda do Fed, e o crescimento do PIB de 1,5% no segundo trimestre, abaixo da expectativa de 2,1%, reduziram as apostas em novas altas de juros”, diz. “A suspeita de intervenção das autoridades japonesas no mercado de câmbio intensificou esse movimento, beneficiando moedas emergentes como o real.”



