16.9 C
São Paulo
domingo, outubro 18, 2026

Haiti marca primeira eleição presidencial em uma década após sucessivos adiamentos

Leia mais

Após dez anos sem eleições presidenciais, o Haiti definiu uma nova data para tentar restabelecer o processo democrático. O Conselho Eleitoral Provisório anunciou que o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas será realizado em 13 de dezembro deste ano, encerrando um longo período de adiamentos provocado pela grave crise política e de segurança que atinge o país.

Inicialmente previsto para agosto, o pleito foi remarcado diante do cenário de violência e da dificuldade de garantir condições mínimas para a votação. O cronograma prevê um eventual segundo turno em 21 de fevereiro de 2027, enquanto a divulgação oficial dos resultados está programada para 7 de março.

O Haiti vive um vácuo eleitoral desde 2016. Nesse período, o país enfrentou sucessivas crises institucionais, agravadas pelo assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em 2021. Desde então, nenhuma eleição presidencial foi realizada e o país passou a ser administrado por governos de transição.

++ Argentina descarta pedido de desculpas após falas de Milei contra Lula e Moraes

Violência desafia processo eleitoral

A realização das eleições ocorre em um contexto marcado pelo fortalecimento de facções criminosas, que ampliaram sua influência sobre a capital, Porto Príncipe, e passaram a avançar também para áreas do interior.

Especialistas apontam que a atuação desses grupos dificulta a organização do processo eleitoral e compromete a segurança de eleitores, candidatos e autoridades. Além da violência armada, a população enfrenta problemas como deslocamentos forçados, escassez de alimentos, sequestros e extorsões, reflexos de uma crise humanitária que se intensificou nos últimos anos.

Entre os grupos que atuam no país está a coalizão Viv Ansanm, que controla parte significativa da capital haitiana. A organização é acusada de envolvimento em crimes como assassinatos, incêndios criminosos, estupros e sequestros, além de buscar ampliar sua influência política. Os Estados Unidos classificam a aliança como organização terrorista.

++ Tarifas dos EUA atingem 16,5% das exportações brasileiras, aponta governo

Desafios para a democracia

Analistas avaliam que a insegurança e a vulnerabilidade social representam obstáculos importantes para a realização de uma eleição considerada livre e transparente. Parte da população vive em abrigos improvisados ou deslocada de suas residências, situação que pode dificultar o acesso às urnas e aumentar o risco de influência de grupos armados sobre o processo eleitoral.

Mais de 300 partidos foram autorizados a participar da disputa. Além da escolha do novo presidente e dos representantes do Legislativo, os haitianos também deverão votar em propostas de alteração da Constituição.

A expectativa é que o processo marque um passo importante na tentativa de reconstrução institucional do Haiti, embora especialistas alertem que a estabilidade política dependerá também da melhora das condições de segurança e da capacidade do Estado de enfrentar a crise humanitária vivida pelo país.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias