Após dez anos sem eleições presidenciais, o Haiti definiu uma nova data para tentar restabelecer o processo democrático. O Conselho Eleitoral Provisório anunciou que o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas será realizado em 13 de dezembro deste ano, encerrando um longo período de adiamentos provocado pela grave crise política e de segurança que atinge o país.
Inicialmente previsto para agosto, o pleito foi remarcado diante do cenário de violência e da dificuldade de garantir condições mínimas para a votação. O cronograma prevê um eventual segundo turno em 21 de fevereiro de 2027, enquanto a divulgação oficial dos resultados está programada para 7 de março.
O Haiti vive um vácuo eleitoral desde 2016. Nesse período, o país enfrentou sucessivas crises institucionais, agravadas pelo assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em 2021. Desde então, nenhuma eleição presidencial foi realizada e o país passou a ser administrado por governos de transição.
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Violência desafia processo eleitoral
A realização das eleições ocorre em um contexto marcado pelo fortalecimento de facções criminosas, que ampliaram sua influência sobre a capital, Porto Príncipe, e passaram a avançar também para áreas do interior.
Especialistas apontam que a atuação desses grupos dificulta a organização do processo eleitoral e compromete a segurança de eleitores, candidatos e autoridades. Além da violência armada, a população enfrenta problemas como deslocamentos forçados, escassez de alimentos, sequestros e extorsões, reflexos de uma crise humanitária que se intensificou nos últimos anos.
Entre os grupos que atuam no país está a coalizão Viv Ansanm, que controla parte significativa da capital haitiana. A organização é acusada de envolvimento em crimes como assassinatos, incêndios criminosos, estupros e sequestros, além de buscar ampliar sua influência política. Os Estados Unidos classificam a aliança como organização terrorista.
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Desafios para a democracia
Analistas avaliam que a insegurança e a vulnerabilidade social representam obstáculos importantes para a realização de uma eleição considerada livre e transparente. Parte da população vive em abrigos improvisados ou deslocada de suas residências, situação que pode dificultar o acesso às urnas e aumentar o risco de influência de grupos armados sobre o processo eleitoral.
Mais de 300 partidos foram autorizados a participar da disputa. Além da escolha do novo presidente e dos representantes do Legislativo, os haitianos também deverão votar em propostas de alteração da Constituição.
A expectativa é que o processo marque um passo importante na tentativa de reconstrução institucional do Haiti, embora especialistas alertem que a estabilidade política dependerá também da melhora das condições de segurança e da capacidade do Estado de enfrentar a crise humanitária vivida pelo país.
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