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domingo, outubro 18, 2026

Irmão de Leide das Neves, símbolo da tragédia com Césio-137, morre em Goiás

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Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves — uma das vítimas mais conhecidas do acidente com o Césio-137, em Goiânia — morreu no último sábado (25), em Aparecida de Goiânia (GO). A causa da morte não foi divulgada. Segundo pessoas próximas, ele enfrentava há anos problemas de saúde mental relacionados aos traumas vividos após a tragédia radiológica que marcou o Brasil em 1987.

Na época do acidente, Lucimar tinha 14 anos e também foi exposto à radiação. Sua irmã, Leide das Neves, então com seis anos, morreu cerca de um mês depois da contaminação e tornou-se o principal símbolo da maior tragédia radiológica já registrada no país.

O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves, lamentou a morte e destacou o impacto emocional que o acidente continuou provocando na família ao longo das décadas.

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“A gente relembra todas as mazelas que esse acidente trouxe. Agora, a gente tem que dar o máximo de apoio possível porque vai ser muito dolorido, por mais que ela [a mãe de Lucimar, Lourdes das Neves] já esteja calejada com essas dores de perda da filha, agora o filho”, afirmou.

Marcelo também recordou a convivência com Lucimar durante os dias que sucederam o acidente.

“Eu lembro que, na época, ele não tinha onde ficar durante o dia porque estava um tumulto danado. Eu pegava ele e levava para minha casa. Eu tinha os meninos também da idade dele e punha eles para jogar videogame”, disse.

O velório e o sepultamento ocorreram no domingo (26), em Abadia de Goiás.

O maior acidente radiológico do Brasil

O acidente com o Césio-137 teve início em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma clínica desativada, em Goiânia. A cápsula contendo material radioativo acabou sendo levada para um ferro-velho, onde foi aberta, permitindo a dispersão da substância.

Sem conhecer os riscos, diversas pessoas tiveram contato com o pó radioativo, atraídas pelo brilho azulado emitido pelo material. A contaminação rapidamente atingiu familiares, vizinhos e trabalhadores, provocando uma das maiores emergências radiológicas do mundo.

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Leide das Neves Ferreira foi uma das primeiras vítimas fatais. A menina ingeriu partículas do Césio-137 e morreu semanas depois em decorrência dos efeitos da radiação. Oficialmente, outras três pessoas também morreram em consequência direta da exposição: Israel Baptista dos Santos, Admilson Alves de Souza e Maria Gabriela Ferreira.

Além das mortes reconhecidas oficialmente, centenas de pessoas foram monitoradas por contaminação e milhares tiveram suas vidas impactadas pelo acidente, cujos efeitos sociais, psicológicos e de saúde ainda são sentidos por sobreviventes e familiares quase quatro décadas depois.

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