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quarta-feira, setembro 16, 2026

EUA ampliam tarifas sobre produtos brasileiros, e taxas podem chegar a 37,5%

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As exportações brasileiras para os Estados Unidos passam a enfrentar um novo aumento nas barreiras comerciais a partir desta sexta-feira (24). O governo norte-americano colocou em vigor uma tarifa adicional de 12,5% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros, que, em muitos casos, será somada à sobretaxa de 25% anunciada na semana passada. Com isso, a tributação total pode atingir 37,5%.

A nova medida foi adotada após investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. Segundo Washington, a decisão está relacionada a supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas. A sobretaxa se soma a outra investigação aberta anteriormente, que trata de alegadas práticas comerciais desleais e questões ligadas ao desmatamento.

Levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) aponta que aproximadamente 85% das exportações atingidas pela nova tarifa também já estavam sujeitas à taxa de 25%, fazendo com que milhares de produtos passem a enfrentar a carga adicional de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

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Entre os setores mais afetados estão o etanol, máquinas agrícolas e de mineração, transformadores elétricos, calçados, móveis de madeira, vestuário, rochas ornamentais, celulose de alta pureza e diversos equipamentos eletrônicos. O etanol brasileiro figura entre os principais alvos da medida, já que não foi incluído em nenhuma das listas de exceção divulgadas pelos Estados Unidos.

Alguns produtos, entretanto, permanecem isentos das novas tarifas. É o caso de aeronaves civis e seus componentes, determinados itens de aço e alumínio já submetidos a outras regras comerciais, ferro-gusa, pelotas de minério de ferro, materiais informativos, doações humanitárias e parte da produção agrícola, como alguns tipos de café, mel, madeira tropical e cortes específicos de carne bovina.

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O impacto das restrições comerciais já é percebido nas exportações brasileiras. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que, desde março de 2025, as vendas do Brasil para os Estados Unidos recuaram 13%, o equivalente a cerca de US$ 2,6 bilhões. No primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para o mercado norte-americano.

Em resposta ao endurecimento das medidas, o governo brasileiro informou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, que permite a adoção de contramedidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos nacionais. Além disso, o Brasil anunciou que levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), classificando as novas tarifas como uma medida protecionista sem justificativa adequada.

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