Passar longos períodos assistindo televisão durante a meia-idade pode estar associado a mudanças na estrutura do cérebro relacionadas ao envelhecimento e ao risco de doenças neurodegenerativas. É o que indica um estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, que acompanhou 1.712 adultos ao longo de aproximadamente 24 anos.
A pesquisa utilizou informações do projeto norte-americano ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), que monitora fatores ligados às doenças cardiovasculares e ao envelhecimento. No início do estudo, entre 1987 e 1989, os participantes, com idade média de 53 anos, responderam a perguntas sobre seus hábitos sedentários. Mais de duas décadas depois, foram submetidos a exames de ressonância magnética para avaliar a saúde cerebral.
Os pesquisadores analisaram separadamente dois tipos de comportamento: o tempo dedicado a assistir televisão durante o lazer e o período em que os participantes permaneciam sentados no trabalho. Os resultados mostraram que quem relatava assistir TV com frequência apresentava alterações em regiões cerebrais frequentemente afetadas nas fases iniciais do Alzheimer.
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Entre as mudanças observadas estavam maior presença de hiperintensidades da substância branca — alterações associadas a problemas nos pequenos vasos sanguíneos do cérebro e ao declínio cognitivo — além da redução do volume em áreas dos lobos frontal e occipital e em regiões consideradas importantes para a memória e outras funções cognitivas.
Um dos principais achados do estudo foi que nem todo comportamento sedentário apresentou a mesma relação com a saúde cerebral. Permanecer sentado durante atividades profissionais não esteve associado aos mesmos padrões observados em quem passava muitas horas diante da televisão. Em alguns casos, esse tipo de atividade foi relacionado a indicadores cerebrais mais favoráveis.
Segundo os autores, uma possível explicação é que atividades realizadas no ambiente de trabalho costumam exigir concentração, raciocínio, tomada de decisões e resolução de problemas, oferecendo maior estímulo cognitivo do que assistir televisão de forma passiva.
Os resultados permaneceram consistentes mesmo após os pesquisadores considerarem fatores como idade, escolaridade, hipertensão, diabetes, índice de massa corporal, prática de atividade física, tabagismo e consumo de álcool. Isso sugere que a associação entre o hábito de assistir TV e determinadas alterações cerebrais não pode ser explicada apenas por esses fatores.
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A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres. Entre os participantes do sexo masculino, o hábito de assistir televisão esteve relacionado à redução do volume em diversas regiões do cérebro. Já entre as mulheres, essas associações foram menos evidentes.
Os autores ressaltam que o estudo não demonstra uma relação de causa e efeito, ou seja, não prova que assistir televisão provoque Alzheimer. No entanto, os resultados reforçam a importância de investigar não apenas o tempo que uma pessoa permanece sentada, mas também o tipo de atividade realizada durante esse período, já que diferentes hábitos sedentários podem ter impactos distintos sobre a saúde cerebral.
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