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domingo, setembro 20, 2026

Inteligência artificial ajudará a prever queimadas na Amazônia com até duas semanas de antecedência

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A tecnologia deve ganhar um papel importante no combate às queimadas na Amazônia. Um sistema baseado em inteligência artificial, desenvolvido pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam), entrará em operação até agosto com a proposta de identificar áreas propensas a incêndios florestais entre sete e 14 dias antes de eles acontecerem. Segundo os pesquisadores, o modelo alcança mais de 90% de precisão nas previsões.

A iniciativa surge em um momento de preocupação com o aumento dos incêndios na região. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a Amazônia registrou, em 2024, o maior número de focos de queimadas dos últimos 17 anos. Além dos impactos ambientais, a fumaça e a estiagem afetaram a qualidade do ar e a saúde da população em cidades como Manaus.

Batizado de IA-FogoBio, o projeto foi idealizado pelo pesquisador Diego Sales, do Ifam, com o objetivo de fornecer informações antecipadas que permitam ações preventivas antes que as chamas se espalhem.

Para isso, o sistema utiliza diferentes modelos de inteligência artificial, como redes neurais LSTM, CNNs e o algoritmo Random Forest. As ferramentas analisam imagens de satélite e cruzam essas informações com características da vegetação, do solo e registros históricos para apontar regiões com maior probabilidade de incêndio.

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Segundo os responsáveis pelo projeto, a plataforma reúne dados de diversas instituições, incluindo imagens produzidas pela Nasa e pelo Inpe, mapas de solos da Embrapa, informações sobre os biomas disponibilizadas pelo IBGE e o histórico de queimadas registrado nas últimas duas décadas.

Após identificar uma área de risco, o sistema envia alertas aos pesquisadores, que repassam as informações aos órgãos ambientais responsáveis pelas ações de campo, como o Ibama e o ICMBio. Com esse tempo adicional, as equipes podem planejar a logística, definir o número de brigadistas, selecionar equipamentos e organizar rotas para tentar impedir que o fogo se espalhe.

Além de estimar o risco de novos incêndios, a inteligência artificial também foi treinada para identificar possíveis causas das queimadas. Cruzamentos realizados pelo Ifam indicam que a maior parte dos focos registrados na Amazônia tem origem em ações humanas, sejam elas criminosas ou acidentais.

Os impactos desses incêndios são expressivos. Entre junho e agosto de 2024, as queimadas consumiram cerca de 2,4 milhões de hectares da floresta, liberando aproximadamente 31,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas.

O projeto recebeu financiamento de R$ 1,9 milhão da Google.org e também busca reduzir os impactos ambientais da própria operação. O Polo de Inovação do Ifam, onde a tecnologia está sendo desenvolvida, utiliza painéis solares para abastecer parte do consumo de energia elétrica.

Especialistas, no entanto, ressaltam que a sustentabilidade da inteligência artificial depende de outros fatores além da matriz energética. O professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Juliano Maranhão, destaca que o desenvolvimento dessas tecnologias também envolve desafios relacionados ao consumo de água para resfriamento dos equipamentos e aos impactos ambientais decorrentes da fabricação do hardware.

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Outro objetivo do sistema é ampliar a proteção de comunidades tradicionais. A plataforma será capaz de monitorar integralmente os territórios indígenas localizados no bioma amazônico. Em parceria com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), foi desenvolvida uma ferramenta específica para emitir alertas de risco com até seis horas de antecedência às equipes responsáveis pela proteção dessas áreas.

A plataforma reúne informações sobre unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas, permitindo classificar cada região conforme o nível de risco de ocorrência de incêndios. A expectativa é que a tecnologia comece a ser utilizada inicialmente em Roraima e, posteriormente, seja expandida para o Amazonas.

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