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quarta-feira, setembro 16, 2026

Dólar cai para R$ 5,16 com expectativa de juros menores e alívio na guerra

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Dólar cai 0,76% a R$ 5,16 e Ibovespa avança 0,74% a 174 mil pontos (Foto: Instagram)

O dólar apresentou uma queda de 0,76% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,16 nesta sexta-feira (3/7). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registrou alta, subindo 0,74% e alcançando 174 mil pontos.

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A sessão foi tranquila para os mercados de câmbio e ações. Nos Estados Unidos, o feriado do Dia da Independência, celebrado em 4 de julho, foi antecipado para esta sexta-feira, o que reduziu a liquidez nos pregões locais.

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No cenário internacional, há um duplo alívio. A guerra entre Estados Unidos e Irã deixou de ser um fator crucial para os investimentos desde que ambos os países acordaram um cessar-fogo de 60 dias em 17 de junho, apesar de ainda haver riscos de instabilidade.

Nesta sexta-feira, o preço do petróleo subiu, mas permaneceu próximo dos níveis anteriores ao início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O barril do Brent, referência internacional, fechou em alta de 0,45%, cotado a US$ 72,12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 0,19%, a US$ 68,82.

Além disso, o mercado ainda está reagindo aos dados mais fracos do mercado de trabalho americano divulgados na quinta-feira (2/7). A queda nos números de criação de empregos reduziu as expectativas de um novo aumento dos juros nos EUA, embora a política monetária do país deva permanecer restritiva.

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos dados de produção industrial, que caiu 0,2% em maio. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa um aumento de 0,2%, e representou a primeira queda do ano na base mensal, interrompendo quatro meses seguidos de crescimento.

Contrariando as expectativas, os setores voltados para o mercado externo apresentaram desempenho negativo, destacando-se os derivados de petróleo e biocombustível (-6,1%), indústria extrativa (-4,0%) e produtos de madeira (-0,6%), com taxas de retração entre as piores da pesquisa.

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o desempenho ruim pode ser uma correção estatística após o forte crescimento do mês anterior, já que o cenário internacional ainda era favorável para essa classe de produção, especialmente no caso do petróleo.

Vitor Kayo, da Nomad, avalia que o resultado sugere um enfraquecimento da indústria após um início de ano aquecido. "Ainda é cedo para considerar uma mudança de tendência, já que o setor vinha de uma sequência positiva e alguns recuos, como o de derivados de petróleo, refletem em parte a reversão de altas anteriores", diz. "O resultado não altera o quadro geral de uma economia resiliente, sustentada por estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, o que reforça a cautela do Banco Central no processo de desinflação."

A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgou nesta sexta-feira os dados da balança comercial de junho, que registrou superávit de US$ 9,8 bilhões, 66% acima do saldo de junho de 2025. As exportações totalizaram US$ 36,2 bilhões e as importações US$ 26,5 bilhões, resultado um pouco abaixo da previsão de US$ 10,6 bilhões.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que o dólar devolveu parte da alta da véspera em uma sessão de baixa liquidez devido ao feriado nos EUA. "O movimento reflete uma correção técnica após o avanço recente da moeda americana, enquanto o único dado relevante no cenário doméstico foi a produção industrial de maio, que ficou abaixo do esperado, reforçando a percepção de desaceleração da atividade econômica", diz. "Os ativos domésticos mostram uma melhora marginal no apetite por risco, alinhados com a expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central."

Josias Bento, da GT Capital, observa que o principal impulso para o Ibovespa veio das ações dos bancos. "No entanto, não acredito que esse movimento de valorização se sustente nos próximos dias", afirma.

Ele destaca que os juros futuros continuam em queda, movimento iniciado após a divulgação dos dados fracos do mercado de trabalho nos EUA. "O dado reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros estáveis ao longo de 2026. O dólar segue essa dinâmica, mas também é influenciado pelas incertezas geopolíticas", acrescenta. "Apesar da reabertura parcial do Estreito de Ormuz, o cenário internacional ainda carece de definições, o que mantém um nível elevado de cautela entre os investidores."

O mercado também acompanha a fase final da investigação dos EUA contra produtos brasileiros. "O principal risco é a imposição de novas tarifas, o que poderia pressionar o câmbio e afetar setores exportadores", diz. "A expectativa é de que prevaleçam negociações e medidas pontuais, mas um desfecho mais rígido pode aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros."

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