Quem vai erguer a taça da Copa do Mundo de 2026? Antes da era dos algoritmos, a resposta vinha de videntes, folhas de chá ou — como ficou famoso em 2010 — de um polvo alemão chamado Paul. Hoje, um time de estatísticos liderado pelo professor Achim Zeileis, da Universidade de Innsbruck, na Áustria, oferece uma alternativa baseada em dados: um modelo de machine learning que simulou o torneio 100 mil vezes.
O resultado coloca a Espanha na ponta, mas por uma margem mínima. A seleção espanhola aparece com 14,5% de probabilidade de título, seguida de perto por Inglaterra e França, empatadas em 12,4%, e pela Alemanha, com 11,2%. O Brasil ocupa a sétima posição, com 4,7% de chance de erguer o hexacampeonato. Portugal (8,9%) e Argentina (8,2%) completam o grupo de seleções com chances reais de título.
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O próprio Zeileis reconhece que a disputa está mais aberta do que em edições anteriores. “Comparativamente com torneios anteriores, a corrida pelo título este ano está muito equilibrada”, afirmou o pesquisador, destacando que o salto para 48 seleções e cinco rodadas eliminatórias deixou o Mundial mais imprevisível.
Para chegar a esses números, a equipe combinou múltiplas fontes de dados. Primeiro, um modelo estatístico avalia a força de cada seleção a partir de resultados de partidas internacionais e cotações de casas de apostas. Depois, um algoritmo de machine learning — uma “floresta aleatória”, treinada com dados de grandes torneios desde a Copa de 2006 — cruza essas estimativas com o ranking da Fifa, a classificação Elo, a presença de jogadores em competições de elite e indicadores socioeconômicos dos países.
A seleção dos Estados Unidos, anfitriã do torneio, tem um caminho relativamente tranquilo até as oitavas de final, mas a previsão derrete rapidamente quando o mata-mata chega: a chance de o time da casa erguer a taça na final do MetLife Stadium, em Nova Jersey, em 19 de julho, é de apenas 1%.
O histórico da equipe de Zeileis dá algum peso à previsão — mas com ressalvas. Em 2019, o grupo acertou a vitória dos Estados Unidos na Copa feminina. Já em 2022 e na Copa feminina de 2023, os campeões — Argentina e Espanha, respectivamente — não eram os favoritos do modelo, embora aparecessem como candidatos fortes.
A Espanha, aliás, não é favorita só para essa equipe. Um modelo independente desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Liverpool — que leva em conta variáveis como desempenho individual de jogadores, lesões, suspensões e até efeitos da altitude — também aponta a seleção espanhola como a mais provável campeã, coincidindo com a avaliação do supercomputador da Opta Analyst, que rodou 25 mil simulações e chegou a uma probabilidade de 16,38% para os espanhóis.
A conclusão de Zeileis resume bem o espírito da empreitada: previsões lidam com probabilidades, não certezas. O programa não vai acertar o campeão com 100% de garantia — mas, pelo menos, tem uma vantagem sobre o molusco de oito tentáculos: não precisa escolher entre duas latas de comida.
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