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quarta-feira, setembro 16, 2026

Autor de massacre no Morumbi publica livro sobre o próprio crime

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Vinte e sete anos após o ataque que chocou o Brasil, Mateus da Costa Meira decidiu colocar sua versão no papel. O ex-estudante de medicina de 51 anos, condenado pelo massacre ocorrido em novembro de 1999 numa sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, lançou um livro digital intitulado “Dentro da Escuridão: A Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira”.

Na obra, ele reconstrói os acontecimentos daquele 3 de novembro de 1999, quando entrou armado numa sessão de cinema e efetuou disparos contra o público, matando três pessoas e ferindo diversas outras. Segundo o autor, o material foi elaborado a partir de documentos públicos, laudos periciais e decisões judiciais, com o argumento de que a cobertura jornalística ao longo das décadas falhou em explicar as circunstâncias que o levaram ao crime.

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Um dos aspectos que chamam atenção na construção narrativa é a escolha pela terceira pessoa: em boa parte da obra, Mateus descreve a si mesmo como se fosse um personagem observado de fora, criando um distanciamento literário entre o autor e o protagonista dos fatos.

A publicação faz parte de uma produção literária mais ampla. Além do próprio caso, ele vem escrevendo livros independentes sobre crimes de grande repercussão, como os assassinatos de Isabella Nardoni, o caso Suzane von Richthofen e o massacre de Columbine, nos Estados Unidos. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.

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A trajetória de Mateus após a condenação passou por reviravoltas significativas. A pena inicial ultrapassava 120 anos, mas foi posteriormente reduzida para 48 anos e nove meses. Com o tempo, avaliações psiquiátricas identificaram um diagnóstico de esquizofrenia paranoide — laudo que resultou em sua transferência para um hospital de custódia na Bahia, onde permaneceu internado por mais de uma década. Em 2024, a Justiça autorizou sua saída da instituição, e ele passou a residir em Salvador, ainda sob acompanhamento médico e psiquiátrico.

Os advogados de Mateus, procurados pelo O Globo, optaram por não comentar a atividade literária do cliente.

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