Uma pesquisa publicada na revista científica Coral Reefs acendeu um alerta sobre a sobrevivência de corais que existem apenas no Brasil. Segundo o estudo, espécies de corais-de-fogo vêm sofrendo impactos severos causados pelo aumento da temperatura dos oceanos, cenário que pode levar à chamada “extinção silenciosa” desses organismos marinhos.
O levantamento foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e acompanhou áreas afetadas por ondas de calor marinhas associadas ao fenômeno El Niño-Oscilação Sul. O monitoramento foi conduzido pelo Instituto Coral Vivo após episódios intensos de branqueamento registrados entre 2023 e 2024.
O caso mais crítico envolve a espécie Millepora braziliensis, encontrada exclusivamente no litoral brasileiro. Em Tamandaré, no litoral de Pernambuco, todas as colônias monitoradas sofreram branqueamento total e perderam completamente a cobertura viva.
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A espécie já era considerada criticamente ameaçada tanto pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade quanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Segundo pesquisadores, atualmente existem apenas cerca de 15 colônias vivas documentadas após o último grande evento climático.
O branqueamento ocorre quando o aumento da temperatura da água rompe a relação entre os corais e microalgas chamadas zooxantelas, responsáveis por fornecer energia aos organismos por meio da fotossíntese. Sem essas algas, os corais perdem cor, enfraquecem e podem morrer caso o calor persista por muito tempo.
Apesar do nome, os corais-de-fogo não pertencem ao mesmo grupo dos corais tradicionais. Segundo o pesquisador Miguel Mies, eles são hidrocorais mais próximos evolutivamente das águas-vivas, mas desempenham papel fundamental nos recifes brasileiros ao criar estruturas que servem de abrigo para peixes e outros organismos marinhos.
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Além das mudanças climáticas, os recifes brasileiros também enfrentam impactos provocados por turismo desordenado, poluição, excesso de sedimentos, pesca predatória e pisoteamento em áreas costeiras.
Projetos de restauração, como os desenvolvidos pela Biofábrica de Corais, tentam recuperar áreas degradadas utilizando fragmentos cultivados em estruturas submersas. Especialistas, porém, alertam que a restauração sozinha não será suficiente sem ações globais de redução das emissões de gases de efeito estufa.
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