A busca de um pai por uma forma de se comunicar com a própria filha acabou se transformando em uma plataforma de inteligência artificial utilizada por milhares de pessoas no mundo. Foi a partir da rotina com a filha Clara, diagnosticada com paralisia cerebral severa, que o brasileiro Carlos Pereira decidiu aprender programação e desenvolver uma tecnologia voltada à comunicação assistiva.
Sem encontrar soluções acessíveis e adaptadas à realidade brasileira, Carlos criou a Livox, ferramenta que utiliza inteligência artificial para ajudar pessoas com deficiência a se expressarem por meio de imagens, sons, textos e comandos personalizados.
“Não criei a ferramenta pensando em fazer uma empresa. Criei porque queria ouvir a minha filha”, relembrou o desenvolvedor ao contar a origem do projeto.
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O que começou como uma solução doméstica se expandiu ao longo de quase duas décadas. Atualmente, a plataforma está presente em 11 países, disponível em mais de 25 idiomas e atende cerca de 65 mil usuários, incluindo pessoas com dificuldades motoras, cognitivas, visuais, de fala, autistas e idosos.
Entre os recursos da ferramenta estão sistemas capazes de ignorar toques involuntários na tela — comuns em usuários com espasmos ou tremores —, além de controle ocular, que permite operar tablets apenas com movimentos dos olhos e piscadas.
Outro diferencial é o uso de inteligência artificial para interpretar contextos de conversa e sugerir respostas automáticas. Em uma pergunta simples como “você está com fome?”, por exemplo, o sistema pode exibir opções rápidas de resposta adequadas à situação.
A plataforma também ganhou espaço no ambiente educacional. Escolas e professores conseguem acompanhar o desenvolvimento dos alunos por meio de ferramentas de monitoramento voltadas à comunicação, aprendizagem e interação social.
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Hoje, a Livox reúne milhares de conteúdos colaborativos produzidos por famílias, profissionais e usuários, incluindo músicas, livros, atividades pedagógicas e aulas. A empresa ainda desenvolve materiais alinhados às diretrizes educacionais do Brasil e dos Estados Unidos.
O projeto recebeu reconhecimento internacional ao ser premiado por instituições como a Organização das Nações Unidas e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, além de estabelecer parcerias com organizações como o Massachusetts Institute of Technology e a Lego.
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