O desaparecimento acelerado de insetos ao redor do mundo pode estar provocando impactos muito mais graves do que se imaginava. Um novo estudo publicado na revista científica Nature aponta que a redução das populações de polinizadores já está afetando diretamente a qualidade da alimentação humana e contribuindo para quadros de insegurança alimentar em comunidades agrícolas.
O fenômeno, conhecido entre pesquisadores como “apocalipse dos insetos”, descreve a queda contínua das populações de abelhas, borboletas, besouros e outros insetos essenciais para a polinização de culturas agrícolas. Algumas estimativas científicas indicam que certas espécies vêm diminuindo cerca de 1% ao ano em escala global.
Para entender os efeitos dessa redução, cientistas acompanharam durante um ano comunidades agrícolas no Nepal. A pesquisa analisou a relação entre a presença de polinizadores, a produtividade das plantações e os impactos na alimentação das famílias locais.
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Os resultados mostraram que os insetos eram responsáveis por aproximadamente 44% do rendimento agrícola das aldeias estudadas. Além disso, a presença dos polinizadores influenciava diretamente a ingestão de nutrientes importantes, como vitaminas A e E e ácido fólico, fundamentais para o desenvolvimento humano e a prevenção de doenças.
Segundo os pesquisadores, quanto menor a diversidade de insetos nas regiões analisadas, piores eram os indicadores de saúde e renda da população. A deficiência desses nutrientes pode provocar problemas graves, incluindo perda de visão, má-formação fetal e comprometimento do crescimento infantil.
A coautora do estudo, Naomi Saville, alertou que muitas crianças observadas no levantamento apresentavam sinais de crescimento inadequado associados à má alimentação baseada em cultivos dependentes da polinização.
Os cientistas destacam que o problema não se limita ao Nepal. Cerca de dois bilhões de pessoas no mundo dependem da agricultura familiar e de pequenas propriedades rurais para sobreviver. Além disso, aproximadamente 75% das culturas agrícolas globais dependem, ao menos parcialmente, da ação de polinizadores para produzir alimentos em larga escala.
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Produtos como café, cacau e amêndoas estão entre os mais vulneráveis ao declínio dos insetos. Diante desse cenário, pesquisadores defendem medidas simples para tentar frear a redução das populações de polinizadores, como diminuir o uso de pesticidas, preservar flores nativas e incentivar a criação de abelhas adaptadas aos ecossistemas locais.
No Brasil, espécies de abelhas sem ferrão, como jataí, mandaçaia e uruçu, vêm ganhando espaço em projetos de preservação e produção sustentável, sendo apontadas como alternativas importantes para fortalecer a polinização e reduzir os impactos do chamado “apocalipse dos insetos”.
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