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quarta-feira, setembro 16, 2026

Dólar recua e Bolsa avança após encontro Lula-Trump e dados de emprego nos EUA

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Notas de dólar em queda após encontro Lula-Trump (Foto: Instagram)

O dólar está em queda nesta sexta-feira (8/5), um dia após o encontro entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.

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O destaque do mercado nesta última sessão da semana é a divulgação do "payroll", um indicador econômico mensal dos EUA que revela a criação de empregos fora do setor agrícola. Em abril, foram geradas 115 mil vagas, superando as expectativas.

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O relatório do Bureau of Labor Statistics (BLS) é crucial para avaliar o desempenho da economia americana. A robustez do mercado de trabalho nos EUA é um dos fatores que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) considera ao decidir sobre a taxa de juros para controlar a inflação.

No cenário internacional, investidores também acompanham a cotação do petróleo, que estava estável no início da manhã, e as negociações entre EUA e Irã para resolver conflitos no Oriente Médio.

DÓLAR

  • Às 15h29, o dólar caía 0,59%, sendo cotado a R$ 4,895.
  • Mais cedo, às 13h06, a moeda americana recuava 0,54%, negociada a R$ 4,897.
  • Durante o dia, o dólar chegou a R$ 4,915 na máxima, e R$ 4,891 na mínima.
  • No dia anterior, a moeda encerrou a sessão com leve alta de 0,05%, a R$ 4,92.
  • Assim, o dólar acumula perdas de 0,58% no mês e 10,3% no ano.

IBOVESPA

  • O Ibovespa, principal índice da B3, operava em alta.
  • Às 15h33, o índice subia 0,83%, alcançando 184,7 mil pontos.
  • Na sessão anterior, o indicador caiu 2,38%, fechando em 183,2 mil pontos.
  • Em maio, a Bolsa acumula queda de 2,19%, mas em 2026, registra valorização de 13,71%.

APÓS REUNIÃO COM TRUMP, LULA VOLTA AO BRASIL COM RELAÇÃO DISTENSIONADA
O encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump na Casa Branca, na quinta-feira (7/5), foi avaliado positivamente pelo governo brasileiro. O objetivo era, além de aliviar tensões bilaterais, avançar em temas estratégicos para o Brasil.

Lula retornou ao Brasil na madrugada desta sexta-feira (8/5), consolidando a reaproximação diplomática com Washington.

A reunião de cerca de três horas abordou cooperação no combate ao crime organizado, minerais críticos, tarifas comerciais e investimentos. Também foram discutidas questões geopolíticas, como a situação no Irã e em Cuba. Segundo Lula, Trump garantiu não ter intenção de invadir Cuba.

O governo brasileiro buscava evitar novas sanções comerciais. Para Lula, não há temas proibidos na relação bilateral. "A única coisa inegociável é nossa democracia e soberania. O resto é discutível", afirmou.

Houve progresso nas discussões sobre tarifas de produtos brasileiros, mas divergências permanecem. Lula informou que ambos os países estabeleceram um prazo de 30 dias para negociações.

"Há uma divergência que ficou clara na reunião. Propus a Trump: ‘Vamos dar 30 dias para resolverem isso’", disse Lula em coletiva na Embaixada do Brasil em Washington. Segundo ele, o prazo permitirá acompanhar as negociações de perto.

Apesar do impasse, Lula mostrou-se otimista e expressou o desejo de que os EUA vejam o Brasil como um parceiro importante.

TRUMP DIZ QUE NEGOCIAÇÕES COM IRÃ SEGUEM, MAS AMEAÇA NOVOS ATAQUES
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na quinta-feira (7/5) que não houve violação do cessar-fogo com o Irã, apesar de ataques no Estreito de Ormuz. Ele ressaltou que as negociações para um acordo continuam.

"Hoje nos provocaram. Nós os pulverizamos… Se não houver trégua, você verá um grande brilho saindo do Irã", afirmou Trump a jornalistas.

Trump ameaçou o Irã com mais ataques se não houver acordo rapidamente. "As negociações estão indo bem, mas se não for assinado, eles vão sofrer muito", disse.

Anteriormente, Trump minimizou os ataques, chamando-os de "tapinha" e afirmando que não violaram a trégua. "Foi só um tapinha. O cessar-fogo ainda está em vigor", ironizou à ABC News.

O governo iraniano acusou os EUA de violar o acordo com ataques no Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica.

ATAQUES COLOCAM CESSAR-FOGO EM XEQUE
As tensões entre EUA e Irã aumentaram após relatos de novos ataques militares perto do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo.

Segundo a Fox News, militares dos EUA atacaram instalações iranianas em Qeshm e Bandar Abbas.

Essas áreas estão próximas ao Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é vital para o comércio global de petróleo.

A agência iraniana Fars relatou explosões em Bandar Abbas e Qeshm, enquanto a Mehr informou que sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã.

Em resposta, um oficial iraniano declarou à IRIB que forças iranianas reagiram aos ataques dos EUA. "Unidades inimigas foram alvejadas e forçadas a recuar", disse a autoridade.

Os ataques ocorrem durante um cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã, prorrogado no final de abril por Trump.

O Estreito de Ormuz é um canal estratégico entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, crucial para a economia global por concentrar grande parte do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundiais.

ESTADOS UNIDOS CRIAM 115 MIL VAGAS DE EMPREGO EM ABRIL
A economia dos EUA criou 115 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8/5) pelo Departamento do Trabalho.

O resultado superou as previsões de 65 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,3%.

No último relatório, o "payroll" mostrou 185 mil novas vagas e desemprego de 4,3%.

Analistas temem que o aquecimento do mercado de trabalho leve a um novo aperto monetário pelo Fed. Dados fracos de emprego podem aumentar temores de recessão.

Na última reunião do Fed, os juros foram mantidos entre 3,5% e 3,75% ao ano, conforme esperado.

O próximo encontro para definir a taxa de juros será em 16 e 17 de junho.

A taxa de juros é a principal ferramenta dos bancos centrais para controlar a inflação. Em março, a inflação nos EUA foi de 3,3% ao ano. A meta é 2% ao ano.

ANÁLISE
Nickolas Lobo, da Nomad, destaca o impacto do encontro entre Trump e Lula, das tensões no Oriente Médio e dos dados de trabalho nos EUA.

"A principal notícia é a repercussão do relatório de empregos. Com a criação de vagas acima do esperado e desemprego estável, o Fed pode cadenciar cortes de juros e afastar temores de desaceleração econômica", afirma.

Lobo também observa que a inflação salarial abaixo das projeções ajuda a conter repiques inflacionários. "Embora o cenário justifique juros curtos próximos aos atuais, os rendimentos de longo prazo caíram 0,7% nas 'treasuries' de dez anos", aponta.

O alívio no câmbio também se deve ao cenário geopolítico. "Investidores veem com otimismo a reunião entre Lula e Trump e a possível criação de um grupo de trabalho para discutir tarifas e comércio. Globalmente, a afirmação de Trump sobre o cessar-fogo com o Irã trouxe alívio aos mercados", conclui.

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