
Fachada de unidade da Oncoclínicas em São Paulo (Foto: Instagram)
A Oncoclínicas, rede privada de tratamento de câncer no Brasil, anunciou que pretende entrar com uma ação de tutela cautelar no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (13/4). O objetivo é resguardar a empresa de cobranças por parte de seus credores.
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A empresa enfrenta uma crise financeira severa, com um prejuízo de R$ 3,67 bilhões em 2025, um aumento de 80% em relação às perdas de R$ 717 milhões em 2024. No balanço divulgado na semana passada, tanto a administração quanto a auditoria Deloitte destacaram "incertezas relevantes" sobre a continuidade das operações da rede.
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Nas demonstrações financeiras, a Oncoclínicas revelou que suas obrigações com empréstimos, financiamentos e debêntures no passivo circulante consolidado em 31 de dezembro de 2025 somam R$ 3,2 bilhões. Desse montante, R$ 2,9 bilhões estão sujeitos a covenants, cláusulas contratuais que, se não cumpridas, podem afetar diretamente os acordos de dívida.
A empresa não cumpriu duas condições financeiras desses contratos. O índice de alavancagem, que compara a dívida líquida ao resultado operacional, alcançou 4,27 vezes, superando o limite de 3,5 vezes. Além disso, o índice de cobertura de juros, que avalia a capacidade de pagar encargos financeiros, foi de 1,35 vez, abaixo do mínimo exigido de 1,75 vez.
PAGAMENTO ANTECIPADO
O não cumprimento dos covenants permite que os credores exijam o pagamento antecipado das dívidas. Segundo o balanço, dos R$ 2,9 bilhões relacionados a covenants, a empresa conseguiu acordos para pouco mais de R$ 1 bilhão. No entanto, ainda restam vencimentos de curto prazo, dentro de um ano, no valor de R$ 1,88 bilhão.
A situação pode se complicar ainda mais. Se os credores exigirem o vencimento antecipado das dívidas sem acordo, o total de R$ 2,9 bilhões poderá vencer no curto prazo.
TUTELA CAUTELAR
Conforme o comunicado desta segunda-feira, a tutela cautelar visa suspender temporariamente os efeitos de "qualquer cláusula contratual que imponha o vencimento antecipado das dívidas" da Oncoclínicas, além da "exigibilidade de todas as obrigações financeiras e instituições relacionadas".
A empresa afirma que a tutela cautelar busca "proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais estável e organizado", permitindo que a companhia negocie com seus credores sem interromper suas atividades ou alterar sua operação regular. A Oncoclínicas reforça que continua a operar normalmente e comprometida em manter um diálogo positivo com seus credores.
PROBLEMAS OPERACIONAIS
Entretanto, acionistas e membros independentes do conselho de administração têm levantado questões sobre problemas operacionais na empresa. Eles apontam que a situação financeira é crítica, com uma crise de liquidez que impede a compra de medicamentos essenciais, afetando milhares de pacientes em tratamento oncológico.



