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quarta-feira, setembro 16, 2026

Tregua entre Trump e Irã impulsiona bolsas nos EUA e Europa

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Operador na bolsa de Nova York acompanha alta após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã (Foto: Instagram)

O anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que interrompeu os conflitos no Oriente Médio, fez com que os principais índices das bolsas de Nova York e da Europa registrassem forte alta nesta quarta-feira (8/4).

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A abertura para negociações entre norte-americanos e iranianos gerou otimismo e alívio nos mercados globais, refletindo também na queda significativa dos preços internacionais do petróleo.

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Em Nova York, os principais índices das bolsas dos EUA operavam com fortes ganhos na tarde desta quarta-feira. Por volta das 15 horas (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 2,72%, alcançando 47,8 mil pontos. No mesmo horário, o S&P 500 registrava uma valorização de 2,47%, aos 6,7 mil pontos. O Nasdaq Composto, que inclui ações de empresas de tecnologia, apresentava a maior alta do dia, com um aumento de 2,93%, chegando a 22,6 mil pontos.

Na Europa, o cenário foi similar ao dos EUA no primeiro pregão após o anúncio do cessar-fogo entre Trump e o Irã. O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias, fechou com uma alta expressiva de 3,88%, aos 613,50 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX subiu 5,06%, atingindo 24 mil pontos. Em Londres, o FTSE 100 encerrou o dia com ganhos de 2,51%, aos 10,6 mil pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou em forte alta de 4,49%, alcançando 8,2 mil pontos. O Ibex 35, de Madri, também terminou a sessão em alta, avançando 3,94%, aos 18,1 mil pontos.

Na noite de terça-feira (7/4), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão de bombardeios e ataques contra o Irã por duas semanas, após conversas com autoridades do Paquistão. Trump afirmou que a decisão foi tomada após diálogos com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que solicitaram a suspensão imediata das ações militares.

O cessar-fogo, descrito por Trump como bilateral, está condicionado à reabertura "completa, imediata e segura" do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo. "Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral", declarou Trump, mencionando que os EUA já teriam alcançado seus objetivos militares e que um acordo definitivo estaria próximo.

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, é considerado um ponto estratégico crucial para a economia global, responsável por cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito. Segundo Trump, Washington recebeu uma proposta de dez pontos do Irã, vista como uma "base viável" para um acordo mais amplo. "Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação", escreveu Trump.

Por sua vez, o Irã, através do Conselho Supremo de Segurança Nacional, afirmou que os EUA sofreram uma "derrota inegável, histórica e esmagadora" no recente conflito entre os dois países e seus aliados no Oriente Médio. A declaração, em tom celebratório, sustenta que Teerã alcançou uma vantagem estratégica após semanas de confrontos, além de consolidar apoio interno e entre grupos alinhados ao "eixo da resistência".

O comunicado também destacou que as ações militares e diplomáticas combinadas teriam forçado Washington a considerar um cessar-fogo em termos favoráveis ao Irã. O Irã reforçou que qualquer avanço rumo ao cessar-fogo depende da interrupção total dos ataques contra seu território. Segundo o texto, as forças iranianas suspenderiam operações "defensivas" caso houvesse cessação das ofensivas externas, sinalizando uma abertura condicionada à trégua.

"Sonhavam em dividir o querido Irã, saquear seu petróleo e riquezas e, por fim, mergulhar e abandonar os iranianos em meio ao caos, à instabilidade e à insegurança por muitos anos", afirma a nota. O acordo de cessar-fogo temporário inclui também o Líbano, alvo de ataques durante o conflito. A informação foi dada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as negociações.

Em comunicado nas redes sociais, o premiê declarou que as partes concordaram com uma trégua imediata "em todos os lugares", incluindo o território libanês e outras frentes do conflito. A medida ocorre em meio à escalada regional que envolve também aliados e grupos armados na região. "Com a maior humildade, tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato", escreveu.

Sharif celebrou o entendimento e agradeceu às lideranças de ambos os países, destacando o que chamou de postura "sábia" e construtiva para avançar rumo à paz. Nas redes sociais, Trump disse que o país poderá ajudar o Irã a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz após o acordo de cessar-fogo. Em publicação na madrugada desta quarta, o líder norte-americano falou em um "grande dia para a paz mundial" e afirmou que ficará "por perto" para garantir que tudo corra bem.

Na sequência, Trump disse que o Irã poderá iniciar sua reconstrução. "Estaremos carregando suprimentos de todos os tipos e apenas 'ficando por perto' para garantir que tudo corra bem. Estou confiante de que correrá. Assim como estamos vivenciando nos EUA, esta pode ser a Era de Ouro do Oriente Médio", destacou.

Apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado por EUA e Irã, ataques no Oriente Médio continuaram a ser registrados na madrugada desta quarta-feira. O acordo não especificou que horas os ataques deveriam ser suspensos e, com isso, países do Golfo continuaram a relatar a interceptação de mísseis iranianos.

Em Israel, três garotos sofreram ferimentos leves devido a uma munição de fragmentação iraniana que atingiu a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Por outro lado, um porta-voz militar israelense disse à CNN que Israel continua realizando ataques aéreos no Irã. O Líbano também continua a ser bombardeado por Israel. Um ataque aéreo israelense, inclusive, atingiu uma ambulância na cidade de Qlaileh, perto da cidade costeira de Tiro.

No início da madrugada, contudo, Israel publicou um comunicado em que diz concordar em parar os ataques. No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o acordo não se estende ao Líbano. "Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, condicionada à abertura imediata do Estreito de Ormuz pelo Irã e à cessação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região", disse em comunicado. "O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano", acrescentou.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o cessar-fogo com os EUA foi rompido após ataques registrados dentro do território iraniano. Segundo o líder iraniano, duas ilhas do país no Golfo Pérsico — Ilha de Lavan e Ilha de Siri — foram bombardeadas ao longo do dia. Mais cedo, veículos da imprensa estatal haviam relatado explosões nas duas localidades.

Pezeshkian, no entanto, não detalhou a origem dos ataques nem atribuiu oficialmente a ação a um país específico. A declaração ocorre em meio à escalada de tensões entre Irã e EUA, após dias de ameaças e movimentações militares na região.

Em conversa telefônica com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, o presidente iraniano condenou as violações do cessar-fogo e reforçou a necessidade de respeito ao acordo. Sharif, por sua vez, pediu moderação e alertou que episódios como os registrados "minam o espírito do processo de paz".

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã motiva busca "por ativos de risco após semanas de volatilidade intensa e aliviando a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado". "A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros. O preço do ouro também apresenta retomada, com o aumento da atratividade relativa na comparação com 'treasuries', e a expectativa de retorno do fluxo advindo de bancos centrais (menos pressionados pelo fluxo interrompido de petróleo)", explica.

"Importante notar que o cessar-fogo não necessariamente significa o fim das incertezas, e o tom dos líderes políticos envolvidos no conflito continua indicando tensões significativas. Aproveitar oportunidades não significa descuidar da parcela de proteção do portfólio e a diversificação de classes, teses, moedas e geografias permanece fundamental", completa Zogbi.

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