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quarta-feira, setembro 16, 2026

Divisões sobre venda para Fleury levam à saída de gestor da Oncoclínicas

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Fachada da Oncoclínicas, principal rede privada de tratamento oncológico no Brasil. (Foto: Instagram)

Um profundo desacordo entre acionistas e membros do conselho de administração sobre a venda da Oncoclínicas para o laboratório Fleury e a Porto Seguro resultou na saída de Marcelo Gasparino, anunciada na terça-feira (7/4), da liderança da maior rede privada especializada em tratamento oncológico do Brasil.

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Gasparino era o presidente do conselho de administração da empresa. No entanto, nas últimas semanas, os conflitos internos se intensificaram. Segundo uma fonte próxima à empresa, a gestora americana Mak Capital, que possui 6,3% das ações da Oncoclínicas, aumentou suas críticas ao conselho da empresa.

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Em um novo comunicado enviado aos conselheiros pela Mak na última semana, a gestora descreveu a situação da empresa como crítica, com riscos imediatos de liquidez e relatos de problemas crescentes no atendimento aos pacientes.

Na carta, a Mak chegou a discutir a possibilidade de um pedido de recuperação extrajudicial, sugerindo que tal medida só poderia ser tomada após ampla discussão e sob orientação de um novo conselho. O documento também propunha novos nomes para o conselho.

DIVERGÊNCIAS NAS ATAS
A crise interna se agravou com a divulgação, na quinta-feira (2/4), no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de duas atas de reuniões do conselho de administração da Oncoclínicas, realizadas em 13 e 15 de março. Os documentos revelaram dissidências de dois conselheiros independentes, Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos.

Ambos criticaram o fato de as reuniões não terem sido gravadas, ao contrário de encontros anteriores, e questionaram a proposta de aquisição feita pelo Fleury-Porto.

“INVIÁVEL”
Grodetzky e Matos afirmaram que estudos financeiros indicavam que a empresa remanescente após a venda não seria viável, pois não conseguiria pagar o principal e os juros de uma dívida de R$ 1,5 bilhão – o total de dívidas atualmente chega a R$ 4,2 bilhões.

Na reunião de 13 de março, os dissidentes também levantaram dúvidas sobre um pagamento que teria favorecido o banco Original em detrimento de outros credores.

Grodetzky e Matos afirmaram que a empresa deveria “usar todos os recursos disponíveis para comprar medicamentos críticos para a continuidade das operações e tratamento dos pacientes, e não privilegiar credores financeiros”.

SAÍDA MISTERIOSA
Na ata da reunião de 15 de março, outro assunto delicado foi abordado – a renúncia da executiva Camille Loyo Faria. Ela deixou o cargo de diretora de Relações com Investidores da Oncoclínicas após pouco mais de um mês.

A renúncia ocorreu 48 horas após o anúncio do acordo de aquisição pela Fleury-Porto. Segundo Grodetzky e Matos, Faria saiu devido a divergências na minuta do comunicado de venda da rede. O documento preparado por Faria foi recusado pela administração, e a versão final foi assinada por outro executivo.

O Metrópoles tentou contato com a assessoria de comunicação da Oncoclínicas, que não se manifestou sobre o assunto. O espaço permanece aberto para comentários da empresa.

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