A missão Artemis II atingiu um dos momentos mais marcantes da exploração espacial recente ao conduzir astronautas a uma distância inédita da Lua e oferecer uma visão rara do satélite natural. Durante o sobrevoo, a tripulação descreveu a cena de forma inusitada: a Lua parecia “do tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço estendido”.
A bordo da Orion spacecraft, os astronautas chegaram a cerca de 6.550 quilômetros da superfície lunar — o ponto de maior aproximação da missão. Em seguida, a nave estabeleceu outro marco ao se afastar mais de 406 mil quilômetros da Terra, ultrapassando o recorde registrado pela Apollo 13.
O trajeto incluiu a passagem pela chamada face oculta da Lua, região que não pode ser observada da Terra. A travessia durou mais de seis horas e proporcionou registros detalhados de áreas até então vistas apenas por sondas não tripuladas. “A Lua que estamos vendo não é a Lua que você vê da Terra”, afirmou a astronauta Christina Koch durante a missão.
++ Corrida pela Lua esquenta e China pode ultrapassar os EUA no retorno humano ao satélite
Durante esse trecho, a comunicação com o controle em Houston foi interrompida por cerca de 40 minutos, período em que a tripulação permaneceu completamente isolada. Mesmo assim, os astronautas continuaram registrando imagens e descrevendo a superfície lunar em tempo real.
Entre os principais destaques está a observação da Bacia Orientale, uma imensa estrutura com cerca de 965 quilômetros de diâmetro situada na transição entre as faces visível e oculta do satélite.
Diferentemente das missões do programa Apollo, que orbitavam a Lua a baixa altitude, a Artemis II adotou uma rota mais distante, conhecida como trajetória de retorno livre. Nesse modelo, a nave utiliza a gravidade lunar para contornar o satélite e retornar à Terra sem necessidade de grandes correções de propulsão.
++ Da órbita ao infinito: astronautas registram a Terra em imagens inéditas rumo à Lua
Mesmo a uma distância maior, a missão conseguiu gerar dados relevantes. Segundo especialistas, o olhar humano ainda desempenha um papel fundamental na observação espacial. “O olho humano é, basicamente, a melhor câmera que já existiu ou existirá”, destacou a cientista Kelsey Young.
Próximas etapas
Após o sobrevoo, a missão segue com ajustes de trajetória e a realização de experimentos a bordo, incluindo testes de pilotagem manual e simulações relacionadas à exposição à radiação solar.
O retorno está previsto para o dia 10 de abril, quando a cápsula reentrará na atmosfera terrestre enfrentando temperaturas de até 1.650 °C antes de pousar no Oceano Pacífico.
Mais do que um feito isolado, a missão representa um avanço estratégico do programa Artemis, que busca estabelecer presença humana sustentável no espaço profundo e preparar futuras viagens, incluindo novas missões tripuladas à superfície lunar.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



