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quinta-feira, setembro 17, 2026

Rússia propõe terapia para mulheres sem filhos e acende debate sobre liberdade reprodutiva

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O governo da Rússia passou a recomendar acompanhamento psicológico para mulheres que optam por não ter filhos, em uma tentativa de conter a queda na taxa de natalidade. A diretriz foi adotada pelo Ministério da Saúde e faz parte de uma estratégia mais ampla defendida pelo presidente Vladimir Putin.

Atualmente, o país registra uma média de cerca de 1,4 filho por mulher — índice considerado insuficiente para manter a reposição populacional. Diante desse cenário, profissionais de saúde foram orientados a encaminhar pacientes que rejeitam a maternidade para sessões de psicoterapia.

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Medida gera reação e críticas

A proposta provocou forte repercussão entre mulheres e especialistas, que classificam a iniciativa como invasiva e descolada da realidade. Para muitas, o governo tenta tratar como questão individual um problema que tem raízes estruturais.

Relatos ouvidos pela imprensa apontam que fatores como custo de vida elevado, insegurança financeira e falta de políticas de apoio à maternidade pesam mais na decisão de não ter filhos do que questões psicológicas.

Além disso, críticas também recaem sobre a desigualdade na divisão de responsabilidades familiares. Em muitos casos, mulheres acabam assumindo sozinhas a criação dos filhos, especialmente após separações, o que desestimula a maternidade.

Pressão sobre decisões reprodutivas

Nos últimos anos, o governo russo tem adotado medidas mais rígidas relacionadas aos direitos reprodutivos. Entre elas, está a proibição da chamada “propaganda anti-filhos”, que prevê multas para quem incentivar ou defender a escolha de não ter filhos.

Também houve restrições ao acesso ao aborto em clínicas privadas em diversas regiões do país, ampliando o controle estatal sobre decisões individuais.

Especialistas alertam que esse conjunto de políticas pode trazer impactos negativos à saúde mental das mulheres. Para profissionais da área médica, a maternidade deve ser uma escolha, não resultado de pressão institucional.

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Debate expõe desafios demográficos

A discussão reacende um dilema enfrentado por diversos países: como lidar com a queda na natalidade sem violar direitos individuais. No caso da Rússia, críticos defendem que políticas públicas mais eficazes passariam por incentivos econômicos, acesso à moradia e apoio à criação de filhos — e não por intervenções diretas nas escolhas pessoais.

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