Uma das vítimas do caso que chocou o sistema de saúde no Rio de Janeiro morreu após mais de um ano convivendo com as consequências de um transplante contaminado pelo HIV. A paciente fazia parte do grupo de seis pessoas que receberam órgãos infectados em 2024, após falhas graves em exames laboratoriais.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, o óbito ocorreu no dia 18 de março, após internação em unidade especializada. A causa da morte não foi divulgada. Em nota, o órgão informou que a paciente vinha sendo acompanhada por equipe multidisciplinar desde a descoberta do caso e já havia sido indenizada pelo governo estadual em 2025.
O episódio teve origem em testes realizados pelo laboratório PCS LAB Saleme, responsável pela análise do material dos doadores. As investigações apontaram que os exames apresentaram resultados falsos negativos para o vírus, o que permitiu a liberação dos órgãos para transplante. Segundo apuração, procedimentos essenciais teriam sido ignorados para redução de custos. O laboratório foi interditado após a revelação do caso.
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A contaminação veio à tona quando um dos pacientes transplantados apresentou sintomas neurológicos e, ao buscar atendimento, testou positivo para HIV — o que levou à identificação dos demais casos.
O processo criminal segue em andamento. Seis pessoas — entre sócios e funcionários do laboratório — foram denunciadas e aguardam julgamento por crimes como associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento.
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As vítimas firmaram acordo de indenização com o governo do estado, o Ministério Público e as instituições envolvidas. Mesmo assim, o caso continua sendo tratado como um dos episódios mais graves já registrados no sistema de transplantes brasileiro, levantando questionamentos sobre controle, fiscalização e segurança nos protocolos laboratoriais.
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