Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Monash trouxe uma explicação inédita para sintomas clássicos do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Segundo os cientistas, pessoas com o transtorno podem apresentar episódios breves de atividade cerebral semelhante ao sono, mesmo quando estão acordadas.
A descoberta ajuda a entender por que indivíduos com TDAH costumam enfrentar dificuldades de concentração, cometer mais erros e apresentar tempo de resposta mais lento — além de relatarem sensação frequente de cansaço mental.
O estudo, publicado no Journal of Neuroscience, analisou a atividade cerebral de adultos com e sem o transtorno. Os resultados mostraram que aqueles diagnosticados com TDAH apresentaram mais “microepisódios” de descanso cerebral ao longo de tarefas, especialmente quando exigiam maior esforço cognitivo.
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De acordo com a pesquisadora Elaine Pinggal, responsável pelo trabalho, esses momentos funcionam como pequenas pausas involuntárias do cérebro. “Todos nós experimentamos esses breves momentos de atividade semelhante ao sono. Em pessoas com TDAH, no entanto, essa atividade ocorre com mais frequência”, explicou.
Na prática, isso significa que, mesmo acordado, o cérebro pode reduzir temporariamente sua atividade — o que compromete a atenção contínua e o desempenho em atividades prolongadas.
O TDAH é uma condição que afeta crianças, adolescentes e adultos, sendo caracterizada por desatenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade. O transtorno pode impactar a vida acadêmica, profissional e social, tornando essencial o diagnóstico adequado e o acompanhamento especializado.
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Outro ponto levantado pela pesquisa é o potencial para novas abordagens terapêuticas. Estudos anteriores indicam que estímulos auditivos durante o sono podem ajudar a reduzir esses episódios no dia seguinte. Agora, os cientistas avaliam se essa estratégia também pode beneficiar pessoas com TDAH.
Os resultados reforçam que o transtorno vai além de questões comportamentais, envolvendo mecanismos neurológicos complexos — e abrem caminho para tratamentos mais direcionados no futuro.
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