A Albânia avalia a criação de um microestado dentro de seu território que, se aprovado, poderá se tornar o menor país do mundo. A proposta foi apresentada pelo primeiro-ministro Edi Rama e prevê a instalação de um enclave religioso na capital, Tirana.
O projeto tem como base a Ordem Bektashi, uma vertente do islamismo conhecida por interpretações mais flexíveis e abordagem espiritual. A área destinada ao possível novo Estado teria cerca de 30 mil metros quadrados — significativamente menor que o Vaticano, hoje considerado o menor país do mundo.
A proposta prevê um modelo incomum de soberania. O território funcionaria como um centro espiritual com autonomia administrativa, incluindo emissão de passaportes e controle próprio, mas sem estruturas tradicionais como exército, polícia ou sistema tributário.
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Segundo Rama, a iniciativa busca promover uma imagem mais ampla e tolerante do islamismo no cenário global. “Espaço de tolerância”, definiu o premiê ao apresentar a ideia. Ele também destacou que o projeto pretende combater estigmas associados à religião muçulmana.
Entre as diretrizes discutidas, estão regras mais flexíveis de convivência, como liberdade de vestimenta, inclusive para mulheres, e permissão para consumo de álcool — pontos que diferenciam o projeto de modelos mais rígidos de Estados religiosos.
A liderança do possível microestado ficaria sob responsabilidade de Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi. Ele defende uma condução moderada e afirma que o espaço teria caráter essencialmente espiritual. “Deus não proíbe nada; é por isso que nos deu mentes”, declarou.
Apesar da proposta inovadora, o plano enfrenta resistência interna. A Comunidade Muçulmana da Albânia criticou a falta de diálogo e classificou a ideia como um “precedente perigoso”. Especialistas também alertam para possíveis impactos no equilíbrio religioso e político do país.
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Há ainda preocupações sobre a repercussão internacional da medida, incluindo o risco de o país ser rotulado como um Estado islâmico, o que poderia gerar efeitos diplomáticos.
O projeto segue em análise no Parlamento e ainda não tem data para decisão. Caso avance, poderá não apenas redesenhar o mapa político da Albânia, mas também abrir um novo capítulo no debate global sobre religião, soberania e organização estatal.
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