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quarta-feira, setembro 16, 2026

Técnica brasileira usa pele de tilápia como curativo biológico

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Uma tecnologia desenvolvida no Brasil vem ganhando destaque internacional ao transformar pele de tilápia em um curativo biológico usado no tratamento de queimaduras e outras aplicações médicas.

A pesquisa foi iniciada há mais de uma década por cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e já resultou em mais de 45 estudos científicos, além de parcerias com instituições como Instituto Butantan, Fundação Oswaldo Cruz e até a NASA.

Por que usar pele de tilápia

A descoberta surgiu quando pesquisadores identificaram que a pele da Tilapia possui grande quantidade de colágeno tipo 1, proteína essencial para a regeneração da pele humana.

Além disso, o material apresenta características que favorecem o tratamento médico:

  • alta elasticidade

  • grande aderência às feridas

  • capacidade de reduzir dor

  • proteção contra infecções

Quando aplicada sobre queimaduras, a pele do peixe funciona como um curativo natural temporário, permanecendo aderida à lesão por vários dias.

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Vantagens no tratamento de queimaduras

Nos tratamentos convencionais, pomadas e bandagens precisam ser trocadas frequentemente, o que pode causar dor intensa nos pacientes.

Com a pele de tilápia, o curativo pode permanecer no local por cinco a dez dias, dependendo da gravidade da queimadura. Isso reduz:

  • número de trocas de curativos

  • dor do paciente

  • custos hospitalares

  • carga de trabalho das equipes médicas

Por isso, a técnica tem sido considerada uma alternativa mais confortável e econômica em comparação aos métodos tradicionais.

Outras aplicações médicas

Embora tenha ficado conhecida no tratamento de queimaduras, a tecnologia também vem sendo usada em outras áreas da medicina.

Entre as aplicações estudadas estão:

Reconstrução vaginal
A pele de tilápia pode estimular a formação de novo tecido em casos de agenesia vaginal (quando a paciente nasce sem o órgão) ou após tratamentos oncológicos.

Cirurgias de redesignação sexual
O material pode ser utilizado para revestir o canal vaginal criado cirurgicamente.

Medicina veterinária
Em animais, a matriz dérmica extraída da pele do peixe já foi utilizada para tratar lesões na córnea, feridas e até problemas ósseos em cães e gatos.

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Vantagens logísticas

Os pesquisadores desenvolveram duas formas principais do produto:

  • pele conservada em glicerol, que precisa de refrigeração

  • pele liofilizada, que pode ser armazenada em temperatura ambiente

A versão liofilizada reduz significativamente os custos de armazenamento, transporte e distribuição.

Produção em escala

Um acordo firmado no fim de 2025 transferiu a tecnologia para uma empresa brasileira responsável por registrar o produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A expectativa dos pesquisadores é que a técnica, desenvolvida no Ceará, passe a ser produzida em escala nacional e internacional, ampliando o acesso principalmente para pacientes da rede pública de saúde.

Segundo os cientistas envolvidos, o objetivo é transformar a pele de tilápia — antes descartada na indústria pesqueira — em uma solução médica acessível e inovadora para milhares de pacientes.

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