Uma tecnologia desenvolvida no Brasil vem ganhando destaque internacional ao transformar pele de tilápia em um curativo biológico usado no tratamento de queimaduras e outras aplicações médicas.
A pesquisa foi iniciada há mais de uma década por cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e já resultou em mais de 45 estudos científicos, além de parcerias com instituições como Instituto Butantan, Fundação Oswaldo Cruz e até a NASA.
Por que usar pele de tilápia
A descoberta surgiu quando pesquisadores identificaram que a pele da Tilapia possui grande quantidade de colágeno tipo 1, proteína essencial para a regeneração da pele humana.
Além disso, o material apresenta características que favorecem o tratamento médico:
- alta elasticidade
- grande aderência às feridas
- capacidade de reduzir dor
- proteção contra infecções
Quando aplicada sobre queimaduras, a pele do peixe funciona como um curativo natural temporário, permanecendo aderida à lesão por vários dias.
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Vantagens no tratamento de queimaduras
Nos tratamentos convencionais, pomadas e bandagens precisam ser trocadas frequentemente, o que pode causar dor intensa nos pacientes.
Com a pele de tilápia, o curativo pode permanecer no local por cinco a dez dias, dependendo da gravidade da queimadura. Isso reduz:
- número de trocas de curativos
- dor do paciente
- custos hospitalares
- carga de trabalho das equipes médicas
Por isso, a técnica tem sido considerada uma alternativa mais confortável e econômica em comparação aos métodos tradicionais.
Outras aplicações médicas
Embora tenha ficado conhecida no tratamento de queimaduras, a tecnologia também vem sendo usada em outras áreas da medicina.
Entre as aplicações estudadas estão:
Reconstrução vaginal
A pele de tilápia pode estimular a formação de novo tecido em casos de agenesia vaginal (quando a paciente nasce sem o órgão) ou após tratamentos oncológicos.
Cirurgias de redesignação sexual
O material pode ser utilizado para revestir o canal vaginal criado cirurgicamente.
Medicina veterinária
Em animais, a matriz dérmica extraída da pele do peixe já foi utilizada para tratar lesões na córnea, feridas e até problemas ósseos em cães e gatos.
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Vantagens logísticas
Os pesquisadores desenvolveram duas formas principais do produto:
- pele conservada em glicerol, que precisa de refrigeração
- pele liofilizada, que pode ser armazenada em temperatura ambiente
A versão liofilizada reduz significativamente os custos de armazenamento, transporte e distribuição.
Produção em escala
Um acordo firmado no fim de 2025 transferiu a tecnologia para uma empresa brasileira responsável por registrar o produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A expectativa dos pesquisadores é que a técnica, desenvolvida no Ceará, passe a ser produzida em escala nacional e internacional, ampliando o acesso principalmente para pacientes da rede pública de saúde.
Segundo os cientistas envolvidos, o objetivo é transformar a pele de tilápia — antes descartada na indústria pesqueira — em uma solução médica acessível e inovadora para milhares de pacientes.
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