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quarta-feira, setembro 16, 2026

Brasil acelera para virar polo de data centers e entrar forte na disputa global por IA

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O Brasil pode estar prestes a mudar de patamar na corrida global por inteligência artificial. A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que cria um pacote robusto de incentivos fiscais para atrair data centers ao país — infraestrutura essencial para treinar modelos de IA, operar serviços em nuvem e sustentar aplicações digitais de larga escala. O texto agora segue para análise do Senado.

A proposta, batizada de Redata, prevê suspensão de tributos por cinco anos para empresas que investirem na instalação de centros de processamento de dados em território nacional. Entre os impostos contemplados estão Imposto de Importação, IPI e PIS/Cofins, tanto em compras no mercado interno quanto em importações de equipamentos. Após o cumprimento das exigências legais, o benefício pode ser convertido em isenção definitiva.

A expectativa do governo é abrir uma nova frente de investimentos tecnológicos. A estimativa oficial aponta renúncia fiscal de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026, seguida de aproximadamente R$ 1 bilhão nos dois anos seguintes.

O que está em jogo

Data centers são estruturas que concentram servidores, sistemas de armazenamento e redes de alta capacidade. Eles garantem que plataformas digitais funcionem 24 horas por dia — de aplicativos bancários a ferramentas de IA generativa. Com a expansão acelerada dessas tecnologias, a demanda global por infraestrutura computacional explodiu.

O relator da proposta, deputado Aguinaldo Ribeiro, argumenta que o Brasil enfrenta hoje um entrave tributário que encarece investimentos no setor. Segundo ele, a reforma tributária só começará a produzir efeitos práticos a partir de 2027, o que tornaria necessário um mecanismo transitório para tornar o país competitivo desde já.

Outro ponto sensível é a soberania tecnológica. Atualmente, parte relevante dos dados públicos brasileiros, inclusive do sistema gov.br, depende de estruturas no exterior. A atração de data centers nacionais reduziria essa dependência e ampliaria a capacidade estratégica do país.

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As contrapartidas exigidas

O incentivo não é irrestrito. Para ter acesso aos benefícios, as empresas precisarão cumprir uma série de exigências:

  • Utilizar energia proveniente de fontes limpas ou renováveis

  • Manter regularidade fiscal

  • Destinar ao mercado interno ao menos 10% da capacidade de processamento

  • Investir no país o equivalente a 2% do valor beneficiado

  • Garantir o suprimento integral da própria demanda energética

O foco na matriz elétrica é central. Mais de 86% da geração brasileira vem de fontes renováveis, o que pode transformar o país em destino atrativo para empresas pressionadas a reduzir emissões de carbono.

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O contraste com os Estados Unidos

Enquanto o Brasil tenta seduzir investimentos, os Estados Unidos enfrentam um debate crescente sobre o impacto energético dos data centers. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que grandes empresas de tecnologia deverão construir suas próprias usinas para abastecer essas estruturas, com o objetivo de evitar repasses na conta de luz dos consumidores.

A pressão vem após relatos de aumento no custo da eletricidade em algumas regiões, associado ao crescimento da demanda por processamento de dados. Operadoras como a PJM Interconnection já discutem alternativas para mitigar sobrecargas na rede, incluindo autoprodução de energia por grandes consumidores.

O movimento americano revela um dilema: acelerar a liderança em IA sem gerar impacto econômico doméstico. O Brasil observa esse cenário como alerta.

Oportunidade estratégica

A combinação de incentivos fiscais e matriz energética majoritariamente renovável coloca o país em posição diferenciada. Se bem estruturado e fiscalizado, o programa pode transformar o Brasil em polo de infraestrutura digital sustentável — algo cada vez mais valorizado no cenário internacional.

O desafio agora está na tramitação no Senado e na implementação prática das regras. Será preciso garantir que os benefícios atraiam investimentos reais, sem pressionar tarifas de energia ou comprometer metas ambientais.

A corrida global por inteligência artificial já começou. O Brasil, ao que tudo indica, decidiu que não pretende ficar apenas assistindo.

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