Uberlândia (MG) está prestes a se tornar sede do primeiro data center de inteligência artificial (IA) do Sudeste brasileiro. A prefeitura anunciou que o início das obras pode ocorrer já em maio, caso todas as licenças necessárias sejam concedidas dentro do prazo.
O empreendimento será conduzido pela empresa norte-americana RT-One e ocupará uma área superior a 1 milhão de metros quadrados na região Oeste do município, às margens da rodovia MGC-497. O projeto arquitetônico já foi protocolado junto à administração municipal e aguarda etapas finais de análise.
Infraestrutura de alta capacidade
A estrutura inicial terá capacidade instalada de 100 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 400 MW no futuro. Segundo a empresa, o centro contará com processamento de alto desempenho, serviços de nuvem soberana, segurança cibernética e infraestrutura voltada a workloads de IA.
A operação inicial será precedida por testes em instalações da Algar, também em Uberlândia.
Para abastecer o complexo, a Companhia Energética de Minas Gerais negocia a implantação de uma nova subestação dedicada ao projeto. De acordo com o prefeito Paulo Sérgio Ferreira, a estrutura não impactará o fornecimento atual de energia aos moradores.
A empresa afirma que utilizará 100% de energia renovável e sistemas de refrigeração de alta eficiência para reduzir o impacto ambiental.
Água e licenciamento ambiental
O consumo estimado de água é de 2,77 litros por segundo — cerca de 239 mil litros por dia. Segundo o Departamento Municipal de Água e Esgoto, o volume não comprometerá o abastecimento local e sequer figura entre os maiores consumidores do município.
Como o terreno está situado em zona rural, ainda será necessária licença ambiental específica. Parte da área total — aproximadamente 300 mil metros quadrados — será destinada à preservação permanente, integrada ao projeto arquitetônico.
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Investimento e impacto econômico
O investimento inicial previsto é de R$ 6 bilhões. Em dezembro, a RT-One anunciou a captação de R$ 15 bilhões para viabilizar não apenas o projeto mineiro, mas também outras duas unidades no país.
Entre as parceiras estratégicas estão empresas como Hitachi, WEG, Siemens, Schneider Electric e Vertiv. A expectativa é gerar cerca de dois mil empregos permanentes, além de milhares de vagas temporárias durante a construção.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, destacou que data centers são pilares da nova economia digital e defendeu que o Brasil aproveite sua matriz energética majoritariamente limpa para atrair esse tipo de infraestrutura.
A prefeitura também informou que negocia a instalação de outros três projetos de tecnologia no município, incluindo conversas com empresas chinesas e norte-americanas.
Se confirmado o cronograma, o empreendimento pode posicionar Uberlândia como um dos principais polos de infraestrutura digital da América Latina, fortalecendo a capacidade brasileira de processamento de dados e inteligência artificial.
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